O trabalho premiado denuncia a exploração de trabalhadores brasileiros em obras do PAC, programa do governo federal
Depois de receber cinco prêmios no Brasil, a série de reportagens sobre exploração de trabalhadores em obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), produzida pelos jornalistas Joelmir Tavares, responsável pela reportagem do projeto, e Cristiano Trad, responsável pelas imagens, foi reconhecida internacionalmente.
A reportagem, publicada em maio de 2012 e intitulada "Lado sujo do PAC", venceu o Prêmio Excelência Jornalística 2012, da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), na categoria direitos humanos e serviço à comunidade. A entrega da premiação está marcada para outubro deste ano, em Denver, nos Estados Unidos, durante a assembleia geral da SIP.
A comissão do prêmio destacou o trabalho dos jornalistas em denunciar a exploração de trabalhadores nas obras do PAC: "O Comitê de Premiação, para justificar sua decisão, destacou que a série denuncia a exploração a que são submetidos os trabalhadores brasileiros em obras com participação direta ou indireta do governo federal. Repórter e fotógrafo descrevem e ilustram os graves problemas: violações da legislação trabalhista, represálias e perseguição a grevistas, condições de vida precárias e até mesmo escravidão. O produto, que incluiu profusão de imagens, gráficos, estatísticas e uma diagramação atraente, foi resultado de mais de um mês de trabalho, no qual os jornalistas usaram todos os meios de transporte para percorrer o Norte do país".
O repórter Joelmir Tavares afirma nunca ter imaginado que chegariam tão longe. "O esforço e dedicação de todos nós a esse trabalho valeu a pena. É a prova de que a reportagem, alma do jornalismo, ainda é o caminho", diz.
Além deste, a série foi premiada outras cinco vezes. No Brasil, os jornalistas foram premiados em primeiro lugar no 29° Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos e da seccional Rio Grande do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil, e também no 5° Prêmio Anamatra de Direitos Humanos, da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho. Além disso, eles também estiveram entre os dez finalistas do 20° Prêmio CNH de Jornalismo Econômico.
A reportagem também ficou em primeiro lugar no 2° Prêmio Corecon-MG de Jornalismo Econômico, do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais e em terceiro lugar no 6° Prêmio Délio Rocha de Jornalismo de Interesse Público, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais.
Os jornais O TEMPO e "Folha de S.Paulo" são os únicos veículos brasileiros premiados pela SIP.
Para conferir o hotsite especial que fez parte da matéria vencedora do prêmio, clique aqui.
A postura da imprensa, a posição do Estado e a preparação dos jornalistas. Esses foram os temas abordados na “Série de Encontros” promovida pela Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado de São Paulo (Arfoc-SP) em parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) no início desta semana. O evento contou com Sérgio Silva (Futura Press), Daniel Teixeira (Estadão) e Flavio Florido (UOL). O debate teve mediação de Erivam Oliveira (professor da ESPM).
Os jornalistas abordaram o trabalho da imprensa durante as manifestações que pararam ruas de cidades brasileiras nos últimos dois meses. A postura da polícia e o treinamento para profissionais de comunicação serviram para discordância entre os participantes. Porém, o assunto principal do encontro foi o relato de Silva, profissional ferido por bala de borracha ao trabalhar em uma das manifestações ocorridas na capital paulista. O fotógrafo teve a visão do olho esquerdo comprometida.
Relato do cenário de guerra
Quinta-feira, 13 de junho. Sérgio Silva chega à Rua da Consolação por volta das 18h para mais uma cobertura das manifestações. A situação, conforme relatou, era semelhante a de um cenário de guerra. Os policiais atiravam sem direção e “as bombas começavam a surgir”. Em meio ao protesto, o jornalista perdeu o conato com os demais colegas que faziam a cobertura e, em vão, tentou se proteger atrás de uma banca de jornal.
“A minha atitude foi a mais natural, de procurar proteção física. Permaneci alguns minutos fotografando. Algumas bombas voltaram a cair onde eu estava”. Com os olhos ardendo e devido às bombas de efeito moral, Silva foi atingido por uma bala de borracha no olho esquerdo. Sem equipe médica para assistir aos feridos, o coletivo Matilha Cultural organizou um posto de atendimento, junto aos manifestantes. “Um cidadão comum me salvou e virou meu amigo”, emocionou-se o profissional.
De acordo com a Arfoc, os profissionais reuniram-se para retirar os materiais de proteção para as coberturas das manifestações. Segundo Silva, deve haver treinamento para que os policiais saibam atuar diante da imprensa. O fotojornalista ressaltou que casos como os dele podem acontecer com maior frequência. “Não tem como aceitar uma polícia violenta. Ela deve ser exemplo, pois eles são pagos para manter a ordem”. Florido, no entanto, disse que existem diversos conceitos a serem revistos e que, ao reivindicar algo, existem consequências – até para os representantes da imprensa. “Devemos ter responsabilidade sobre aquilo que falamos e fazemos”.
Ao ouvir o relato, Teixeira afirmou que a Polícia Militar não tem preparo adequado para atuar em manifestações desse porte. Complementando o colega, Silva ironizou que ao atingir profissionais da imprensa “a polícia teve um gostinho a mais”. Contrapondo-se aos demais participantes, Florido argumentou que existem questões culturais, desde os salários à educação dos integrantes da corporação. “Não me imagino viver com um salário de policial. Devemos pensar por outros lados”.
Processo contra o Estado
Vítima da ação policial, Silva explicou que ainda está avaliando, junto a seus advogados, processar o estado de São Paulo. “A cada dia venho melhorando psicologicamente, mas meu olho não responde”, desabafou. O fotojornalista da Futura Press ainda convidou a todos para assinar a petição online contra o uso de balas de borracha e gás lacrimogêneo nas manifestações. O abaixo-assinado, que já conta com mais de 40 mil assinaturas, pode ser acessado em http://migre.me/fK1Ch.
Escrito por Kelly Mantovani (*) Estudante do 4º semestre de Jornalismo da FIAM/FAAM – SP. Integrante do projeto ‘Correspondente Universitário’ do Comunique-se.
A Radio Nederland, por meio de seu centro de treinamento, oferece bolsas de estudo para seu principal curso de jornalismo. A formação de seis semanas sobre produções multimídia é realizada na Holanda, patrocinado pela Netherlands Fellowship (NFP). As inscrições estão abertas até 1º de outubro.
As bolsas cobrem os custos de viagem, hospedagem e taxa de curso. Para concorrer, é preciso ter pelo menos três anos de experiência em jornalismo, apresentar certificado de proficiência em inglês e escrever uma carta de motivação explicando porque quer seguir o treinamento.
O curso irá mesclar trabalho teórico e prático para aprofundar habilidades jornalísticas necessárias para preparar, pesquisar e realizar trabalhos de transmissão e jornalismo multimídia. Os alunos irão relatar histórias usando gravação digital, internet, fotos, textos e áudio.
Para mais informações sobre a bolsa e o curso, acesse o site da Radio Nederland.
Reunião acontece na próxima segunda-feira, 19/8, e tem o objetivo principal de recolher as opiniões dos empregados da EBC sobre o tema e apresenta-las ao Conselho Curador.