Estão abertas até 16 de setembro as inscrições para o concurso “A Hora é Agora”, promovido pela TV Câmara e pela Rádio Câmara. Serão premiadas, com R$ 70 mil, sete propostas para elaboração de programas inéditos sobre temas ligados à mobilização social para conquista de direitos.

“A Hora é Agora” será uma série de programas informativos com histórias inovadoras relacionadas à mobilização social, protagonismo político apartidário e articulação comunitária. Os programas deverão ter 26 minutos, com uma versão para televisão e outra para rádio.

Realidade transformada
O concurso tem como objetivo dar visibilidade às iniciativas de organização da sociedade que visam transformar a realidade e garantir direitos sociais, coletivos e de minorias. Os programas devem registrar experiências que, direta ou indiretamente, buscam promover a conscientização e a participação política.

Alguns assuntos sugeridos no edital do concurso são: iniciativas de mobilização política não-partidária; a política no cotidiano das pessoas; cooperativismo; favelas; sustentabilidade; mobilidade; movimento negro; diversidade e tolerância de orientações sexuais e afetivas; democratização da comunicação; acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiências; intolerância religiosa; respeito às minorias; adoção; histórias que tenham relação com os objetivos do milênio; e direitos e garantias fundamentais previstos pela Constituição.

Cinco regiões
Na primeira fase, o concurso irá pré-selecionar quinze projetos que serão submetidos a uma defesa oral – na qual serão colocadas questões relacionadas a técnica, criação artística, produção, cronograma e finanças.

O grupo dos quinze projetos pré-selecionados será composto pelos três que melhor representem cada região do Brasil - Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Será premiado pelo menos um programa por região.

Inscrição
Poderão inscrever-se empresas brasileiras produtoras de audiovisual, legalmente estabelecidas. Cada candidato poderá inscrever até dois projetos, sendo que cada um deverá ser enviado em envelope específico. Nenhum proponente terá mais de um projeto premiado.

A inscrição deverá ser realizada, obrigatoriamente, por meio do envio postal ou por empresa de entrega de pacotes. Deverá constar o formulário de inscrição impresso; a proposta de argumento; a proposta de tratamento audiovisual; o currículo da empresa produtora; e um portfólio com comprovação de no mínimo duas e, no máximo, cinco produções audiovisuais que a empresa tenha realizado.

Entre os critérios a serem avaliados nos argumentos, estão: originalidade, variedade, profundidade e adequação ao perfil de programação da TV Câmara e da Rádio Câmara. Os critérios técnicos das obras apresentadas no portfólio da produtora também serão considerados.

O prêmio será pago em duas etapas. A primeira, de R$ 35 mil, após a assinatura do contrato. A segunda parcela será paga após entrega e aprovação do disco XDCAM e do CD de áudio com a montagem final do programa de TV e de rádio, juntamente com o Termo de Cessão Total de Direitos Patrimoniais para exibição do programa pela TV Câmara e pela Rádio Câmara, devidamente assinado.

Mais informações no  http://www.camara.gov.br/Internet/Diretoria/Demap/Licitacoes/SECPL/Concu1_13.pdf

Serviço
O endereço para envio da inscrição é:
“Concurso para Produção de Programas para Série da TV Câmara e da Rádio”
Comissão Especial de Licitação - Concurso A Hora é Agora TV/Rádio Câmara
Câmara dos Deputados
Anexo 4 – Subsolo – sala 79
Brasília – DF
CEP 70.160-900

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O trabalho premiado denuncia a exploração de trabalhadores brasileiros em obras do PAC, programa do governo federal

Depois de receber cinco prêmios no Brasil, a série de reportagens sobre exploração de trabalhadores em obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), produzida pelos jornalistas Joelmir Tavares, responsável pela reportagem do projeto, e Cristiano Trad, responsável pelas imagens, foi reconhecida internacionalmente.

A reportagem, publicada em maio de 2012 e intitulada "Lado sujo do PAC", venceu o Prêmio Excelência Jornalística 2012, da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), na categoria direitos humanos e serviço à comunidade. A entrega da premiação está marcada para outubro deste ano, em Denver, nos Estados Unidos, durante a assembleia geral da SIP.
A comissão do prêmio destacou o trabalho dos jornalistas em denunciar a exploração de trabalhadores nas obras do PAC: "O Comitê de Premiação, para justificar sua decisão, destacou que a série denuncia a exploração a que são submetidos os trabalhadores brasileiros em obras com participação direta ou indireta do governo federal. Repórter e fotógrafo descrevem e ilustram os graves problemas: violações da legislação trabalhista, represálias e perseguição a grevistas, condições de vida precárias e até mesmo escravidão. O produto, que incluiu profusão de imagens, gráficos, estatísticas e uma diagramação atraente, foi resultado de mais de um mês de trabalho, no qual os jornalistas usaram todos os meios de transporte para percorrer o Norte do país".
O repórter  Joelmir Tavares afirma nunca ter imaginado que chegariam tão longe. "O esforço e dedicação de todos nós a esse trabalho valeu a pena. É a prova de que a reportagem, alma do jornalismo, ainda é o caminho", diz.
Além deste, a série foi premiada outras cinco vezes. No Brasil, os jornalistas foram premiados em primeiro lugar no 29° Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos e da seccional Rio Grande do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil, e também no 5° Prêmio Anamatra de Direitos Humanos, da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho. Além disso, eles também estiveram entre os dez finalistas do 20° Prêmio CNH de Jornalismo Econômico.
A reportagem também ficou em primeiro lugar no 2° Prêmio Corecon-MG de Jornalismo Econômico, do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais e em terceiro lugar no 6° Prêmio Délio Rocha de Jornalismo de Interesse Público, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais.
Os jornais O TEMPO e "Folha de S.Paulo" são os únicos veículos brasileiros premiados pela SIP.

Para conferir o hotsite especial que fez parte da matéria vencedora do prêmio, clique aqui.

Publicada pelo Tempo

 

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A postura da imprensa, a posição do Estado e a preparação dos jornalistas. Esses foram os temas abordados na “Série de Encontros” promovida pela Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado de São Paulo (Arfoc-SP) em parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) no início desta semana. O evento contou com Sérgio Silva (Futura Press), Daniel Teixeira (Estadão) e Flavio Florido (UOL). O debate teve mediação de Erivam Oliveira (professor da ESPM).

Os jornalistas abordaram o trabalho da imprensa durante as manifestações que pararam ruas de cidades brasileiras nos últimos dois meses. A postura da polícia e o treinamento para profissionais de comunicação serviram para discordância entre os participantes. Porém, o assunto principal do encontro foi o relato de Silva, profissional ferido por bala de borracha ao trabalhar em uma das manifestações ocorridas na capital paulista. O fotógrafo teve a visão do olho esquerdo comprometida.

Relato do cenário de guerra
Quinta-feira, 13 de junho. Sérgio Silva chega à Rua da Consolação por volta das 18h para mais uma cobertura das manifestações. A situação, conforme relatou, era semelhante a de um cenário de guerra. Os policiais atiravam sem direção e “as bombas começavam a surgir”. Em meio ao protesto, o jornalista perdeu o conato com os demais colegas que faziam a cobertura e, em vão, tentou se proteger atrás de uma banca de jornal.

“A minha atitude foi a mais natural, de procurar proteção física. Permaneci alguns minutos fotografando. Algumas bombas voltaram a cair onde eu estava”. Com os olhos ardendo e devido às bombas de efeito moral, Silva foi atingido por uma bala de borracha no olho esquerdo. Sem equipe médica para assistir aos feridos, o coletivo Matilha Cultural organizou um posto de atendimento, junto aos manifestantes. “Um cidadão comum me salvou e virou meu amigo”, emocionou-se o profissional.

De acordo com a Arfoc, os profissionais reuniram-se para retirar os materiais de proteção para as coberturas das manifestações. Segundo Silva, deve haver treinamento para que os policiais saibam atuar diante da imprensa. O fotojornalista ressaltou que casos como os dele podem acontecer com maior frequência. “Não tem como aceitar uma polícia violenta. Ela deve ser exemplo, pois eles são pagos para manter a ordem”. Florido, no entanto, disse que existem diversos conceitos a serem revistos e que, ao reivindicar algo, existem consequências – até para os representantes da imprensa. “Devemos ter responsabilidade sobre aquilo que falamos e fazemos”.

Ao ouvir o relato, Teixeira afirmou que a Polícia Militar não tem preparo adequado para atuar em manifestações desse porte. Complementando o colega, Silva ironizou que ao atingir profissionais da imprensa “a polícia teve um gostinho a mais”. Contrapondo-se aos demais participantes, Florido argumentou que existem questões culturais, desde os salários à educação dos integrantes da corporação. “Não me imagino viver com um salário de policial. Devemos pensar por outros lados”.

Processo contra o Estado
Vítima da ação policial, Silva explicou que ainda está avaliando, junto a seus advogados, processar o estado de São Paulo. “A cada dia venho melhorando psicologicamente, mas meu olho não responde”, desabafou. O fotojornalista da Futura Press ainda convidou a todos para assinar a petição online contra o uso de balas de borracha e gás lacrimogêneo nas manifestações. O abaixo-assinado, que já conta com mais de 40 mil assinaturas, pode ser acessado em  http://migre.me/fK1Ch.

Escrito por Kelly Mantovani (*) Estudante do 4º semestre de Jornalismo da FIAM/FAAM – SP. Integrante do projeto ‘Correspondente Universitário’ do Comunique-se.

Publicado por Comunique-se

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