Já assinado por mais de 50 mil pessoas, o projeto de lei de iniciativa popular que propõe a regulamentação do funcionamento de meios de comunicação não representa censura prévia nem fere o direito à liberdade de expressão, segundo defendeu hoje (22) a coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Rosane Bertotti.
Hoje, o FNDC, que reúne mais de cem organizações, lançou na Câmara dos Deputados a campanha que pretende reunir cerca de 1,3 milhão de assinaturas para que a proposta possa ser validada e protocolada no Congresso. O texto está disponível, na íntegra, na página da campanha de coleta de assinaturas na internet.
Segundo Rosane, a Lei da Mídia Democrática, como está sendo chamado o projeto, pretende ampliar a liberdade de expressão no Brasil e tornar mais transparente o processo de concessões de rádio e TV. [A proposta] debate a transparência, o respeito à pluralidade e à diversidade, além do não incentivo à violência e à homofobia”, disse Rosane.
Para ela, a liberdade de expressão é essencial na democracia, mas não pode se sobrepor a outros direitos. “Não existe um direito que prevaleça sobre outro. A liberdade de expressão não é um direito absoluto. A concessão é pública e o direito de liberdade de expressão não pode atingir outros direitos humanos, que são fundamentais”.
O projeto de iniciativa popular, entre outros pontos, estabelece a proibição da concessão de meios de comunicação a pessoas com cargo eletivo – como deputados e senadores – e a grupos ligados a igrejas. Também veda o controle de mais de cinco canais de comunicação por uma mesma empresa.
A coordenadora do FNDC prevê ataques ao projeto por setores “poderosos” da sociedade. “O principal impacto do projeto é ampliar direitos e garantir a liberdade de expressão para todos os brasileiros. Agora, a partir do momento em que há um monopólio, e no nosso projeto se pede o fim desse monopólio e da propriedade cruzada, lógico que terá um impacto”, frisou.
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a emissora pública alemã de TV e rádio, Deutsche Welle, estudam firmar uma parceria para troca de experiências, com a possibilidade de troca de conteúdos. Na tarde de hoje (22), o ministro da Cultura da Alemanha, Bernd Neumann, reuniu-se com o presidente da EBC, Nelson Breve. O ministro comprometeu-se a levar as discussões para o novo diretor da Deutsche Welle, que assume em setembro. Segundo ele, as conversas do ministério com a emissora alemã devem ocorrer até o início de 2014.
A Deutsche Welle oferece conteúdo em 30 idiomas, entre eles o português, nas plataformas de rádio, TV e internet. As conversas sobre uma parceria entre as empresas vêm ocorrendo há alguns anos, mas foram interrompidas por motivos internos de ambos os lados. Nesta quinta-feira, foram retomadas.
Na reunião, Breve e Neumann falaram sobre a comunicação pública em ambos os países e de que forma uma troca de experiências poderia beneficiar tanto a Alemanha quanto o Brasil. "Constatamos em conjunto que as conversas sobre uma cooperação mais estreita entre a Deutsche Welle e a EBC devem ser retomadas e há a possibilidade de aprendermos um com o outro, transmitir conhecimento e, com certeza, há a possibilidade de trocarmos conteúdos", disse Neumann.
O ministro disse também que a Alemanha tem muito interesse no Brasil. "A América é muito mais do que os Estados Unidos. A América Latina está em fase de ascensão e o Brasil, como o maior país da América do Sul, merece toda a nossa atenção".
Neumann está no Brasil devido às atividades do ano Alemanha + Brasil 2013-2014, lançado em maio. O objetivo é fortalecer as relações entre os países, por meio de diversas atividades. A programação abrange várias áreas, entre elas cultura, política, sociedade, ciência, economia e esporte. A programação vai até maio de 2014 em várias cidades brasileiras e alemãs.
Edição: Fábio Massalli
Quatro jornalistas foram hostilizados e agredidos hoje (22), durante a primeira audiência com tomada de depoimentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Ônibus, instalada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Os repórteres Julio Molica e Antonia Martinho, da GloboNews, foram expulsos da galeria da Casa por manifestantes favoráveis à CPI. O repórter cinematográfico da TV Band, Sérgio Colonesi, e o jornalista do portal Terra Cirilo Júnior também foram agredidos em meio a um tumulto nas galerias e no plenário. Nenhum dos profissionais precisou de atendimento médico.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) voltou a manifestar preocupação com o clima de hostilidade contra a imprensa que vem marcando a cobertura de protestos em todo o país.
Na última segunda-feira (19), jornalistas foram alvo de spray de pimenta disparados por policiais militares durante ato na Rua do Catete, na zona sul da cidade.
“Agressões a jornalistas estão se tornando perigosamente rotineiras. A democracia não é compatível com atitudes que contrariam o direito à informação de toda a sociedade. A Abraji se solidariza com as vítimas e faz um apelo para que as agressões cessem, sejam perpetradas por quem forem”, diz a entidade.
A presidenta do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio, Suzana Blass, e o diretor Rogério Marques se reuniram hoje com comandante da Polícia Militar, coronel José Luís Castro Menezes, para cobrar o fim das agressões a jornalistas e a punição dos policiais envolvidos.
No encontro, ficou acertado que o sindicato e a Polícia Militar vão criar um fórum para acompanhar e debater o problema, envolvendo também a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Suzana Blass pediu o fim dessas agressões e sugeriu um protocolo que seja respeitado por todos os policiais militares. Ela disse que há pouco tempo presenciou uma ação violenta do Batalhão de Choque em Niterói.
O coronel Luís Castro argumentou que a tropa é orientada a usar armas não letais apenas em casos extremos e disse que o policial que jogou spray de pimenta nos jornalistas na Rua do Catete foi afastado do trabalho de rua e está sendo submetido a uma avaliação psicológica. O comandante alegou explicou que grupos infiltrados entre os manifestantes buscam o confronto, depredando o patrimônio público e agredindo policiais com pedradas e cusparadas para provocar uma reação.
Os diretores do sindicato deixaram claro, no entanto, que não há justificativa para atos de violência contra jornalistas que estão ali trabalhando.
Jornalistas que desejam se dedicar a trabalhos e estudos avançados terão oportunidade de ganhar bolsa na Universidade de Harvard. Os profissionais poderão ganhar até US$ 70 mil por ano para as despesas do projeto.
Além de jornalistas, profissionais de cinema, vídeo, som e novas mídias também podem se candidatar. De acordo com as informações do instituto, os aprovados terão escritório, estúdio e acessa a bibliotecas e outros recursos da Universidade de Harvard durante o período.
As inscrições podem ser feitas pelo site do programa Radcliffe Institute Fellowship até 1° de outubro. O projeto de bolsa deve ter início em setembro de 2014, com duração até maio de 2015.