Ataques a profissionais de mídia durante manifestações, censura judicial e homicídios de jornalistas restringem o trabalho da imprensa no Brasil, de acordo com relatório divulgado nesse domingo, 20, na 69ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), em Denver, nos Estados Unidos.
Segundo o documento elaborado pela Associação Nacional de Jornais, ao menos 70 jornalistas foram vítimas de violência policial ou foram agredidos por manifestantes desde o início da onda de protestos, em junho.
O texto destaca os assassinatos do repórter Rodrigo Neto e do fotógrafo Walgney Assis Carvalho, mortos em Minas Gerais em março e abril, respectivamente. Na avaliação publicada no documento, os casos foram os mais graves nos últimos seis meses.
Episódios envolvendo a polícia, como os dos fotógrafos da Folha Fábio Braga, atacado por cães, e Marlene Bergamo, atingida por gás lacrimogêneo, também foram relatados. A censura judicial que impede o jornal Estado de S. Paulo de publicar reportagens sobre investigação que atinge o empresário Fernando Sarney, desde julho de 2009, foi lembrada.
A situação da liberdade de imprensa em outros 24 países também está sendo discutida no evento
Evento vai até 19/10 no Uniceub, em Brasília. Professores, prequisadores e jornalistas fazem parte do público.
Em nota, a Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe) criticou a postura do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que recomendou que a servidora Adriana Leineker Costa, cedida no gabinete do ministro Ricardo Lewandowski, deixasse o cargo pelo fato de ser esposa de Felipe Recondo, repórter do Estadão, que cobria o Judiciário e acompanhou o julgamento do mensalão.
De acordo com o Jornal do Brasil, a Fenajufe diz que a ação de Barbosa é um abuso. “A atitude antiética e com abuso de autoridade partiu, na verdade, do próprio presidente do STF, o que muito nos preocupa, já que o STF é o guardião dos direitos democráticos. E quando um presidente do Supremo Tribunal Federal cede à tentação de perseguir seus inimigos políticos, atacando o cargo da esposa de um deles, o que está em risco é a democracia”, informa o texto.
Joaquim Barbosa enviou ofício ao ministro Ricardo Lewandowski ressaltando que seria antiético manter a servidora, uma vez que, é esposa de um jornalista de um grande veículo de comunicação e exerce seu trabalho nas dependências do Supremo Tribunal Federal fazendo uso da intranet, internet e telefones deixados a sua disposição.
Profissionais serão beneficiados com pagamento de horas-extras trabalhadas e verbas rescisórias referentes à demissão.