O Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial - ETCO anunciou os vencedores das cinco categorias do Prêmio ETCO de Jornalismo. No total serão distribuídos R$ 60 mil em prêmios, sendo R$ 10 mil por categoria e mais R$ 10 mil ao vencedor do Grande Prêmio ETCO de Jornalismo, que será anunciado em cerimônia marcada para o dia 7 de novembro, no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. Uma homenagem especial será conferida aos editores dos trabalhos premiados.
A categoria Jornal teve como vencedor Ricardo Mioto, da Folha de S. Paulo, com a série “Pesadelo Fiscal”. Na categoria Revista foram escolhidas Bruna Martins Fontes e Júlia Pitthan pela matéria “Negócios com causa – a escolha é sua” publicada na Revista PEGN. Em Radiojornalismo os ganhadores foram Lucas Scherer e Bruno Feitosa, da Rádio Bandeirantes FM de Brasília, com o trabalho “A indústria da pirataria”. Eduardo Faustini e André Luiz Azevedo, da Rede Globo, foram os vencedores de Telejornalismo, com a reportagem “A cara da corrupção”, veiculada no Fantástico. Por fim, a categoria Jornalismo Online teve como vencedoras Ana Paula Pedrosa e Queila Ariadne, do Portal O Tempo Online, com o trabalho “10 Anos sem Camelô”.
A Comissão de Julgamento foi formada pelos jornalistas Beth Cataldo, Carlos Eduardo Lins da Silva, Fernando Portela, José Márcio Mendonça e Nelson Hoineff. Para escolher os vencedores, a comissão examinou 71 trabalhos da categoria Jornal, 10 da categoria Revista, 10 de Radiojornalismo, 57 de Telejornalismo e 55 de Jornalismo Online, num total de 203 inscrições.
O Prêmio ETCO de Jornalismo foi criado para ampliar o conhecimento e a compreensão dos benefícios para a sociedade das práticas de negócios alinhadas com a ética concorrencial. A premiação é uma entre diversas iniciativas do Instituto ETCO, que reúne empresas e entidades empresariais não governamentais.
Sobre o ETCO
O Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial, ETCO, é uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 2003 com o objetivo de identificar, discutir, propor e apoiar ações, práticas e projetos que resultem em melhoria concreta do ambiente de negócios no Brasil. Para isso, atua a fim de influenciar tomadores de decisão a adotar medidas que visem a reduzir a sonegação fiscal, o comércio ilegal e a informalidade, além de ações de simplificação do sistema tributário e de combate à corrupção e outros desvios de conduta. O Instituto procura manter forte presença no meio empresarial e político brasileiro, com o objetivo de criar mecanismos e ferramentas que fortaleçam a ética concorrencial. São três as estratégias de atuação: fomentar estudos sobre os fatores que incentivam esses desvios de conduta; propor e apoiar iniciativas, ações ou mudanças em textos legais e práticas administrativas; e desenvolver e apoiar ações de conscientização da opinião pública sobre os efeitos sociais e econômicos maléficos e dos perigos dessas ilegalidades e da leniência social com esses desvios de comportamento ético.
Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, participa de colóquio sobre proteção de jornalistas. Foto: UNIC Rio/Ivone Alves
O Brasil deve adotar o Plano de Ação das Nações Unidas sobre a Segurança de Jornalistas e a Questão da Impunidade. A recomendação será feita em dezembro, durante o Fórum Mundial de Direitos Humanos, que acontecerá em Brasília. O grupo de trabalho que estuda o tema também deve sugerir a criação de um observatório sobre crimes e censura contra jornalistas, o desenvolvimento de um manual de segurança e prevenção da violência contra profissionais de mídia e a aceitação dos indicadores de segurança de jornalistas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
De acordo com a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), Maria do Rosário, estuda-se ainda a federalização de crimes contra defensores de direitos humanos, o que inclui comunicadores ameaçados por causa do desempenho da profissão.
“Estamos mapeando aquelas circunstâncias que inclusive levaram à morte, justamente nesses assassinatos, para que não tenhamos a impunidade. E neste mapeamento, acompanhando esses casos, nós identificamos que, em geral, os jornalistas são ameaçados por matérias que escrevem, porque desequilibram relações de poder, e a proteção eles precisam ter. Então, hoje nós estamos pensando qual é a política de proteção que deve existir, que integre inclusive a responsabilidade não só do Estado como dos próprios veículos no momento da cobertura de temas que realmente colocam os profissionais diante de um risco maior”, explicou.
A ministra participou nesta terça-feira (15) de colóquio sobre medidas nacionais e internacionais para a proteção de profissionais de comunicação. O evento promovido pela SDH em parceria com a UNESCO e o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) fez parte da programação da Conferência Global de Jornalismo Investigativo, realizada no Rio de Janeiro pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), pela Global Investigative Journalism Network e pelo Instituto Prensa y Sociedad.
Maria do Rosário defendeu também a desmilitarização das polícias que, na opinião dela, usam práticas de abordagem da época da ditadura militar.
Ao avaliar as manifestações que acontecem desde junho em todo o país, Maria do Rosário afirmou que, quando a polícia ataca jornalistas, ataca todas as pessoas que têm o direito de saber o que está acontecendo.
A ministra reconheceu, ainda, que no Brasil não há atenção clara em relação aos grupos de extermínio e às estruturas de milícias que, por vezes, têm jornalistas como seus alvos.
“Estamos trabalhando, sem dúvida, o direito à liberdade de expressão e a prevenção, o enfrentamento às ameaças que sofrem os jornalistas como uma questão que é responsabilidade do Estado e que dialoga com a democracia porque, quando os profissionais de comunicação são ameaçados e tentam calar esses profissionais, existe aí um ataque à própria democracia.”
Para o representante da UNESCO no Brasil, Lucien Muñoz, que também participou da abertura do colóquio, são muitas as formas de ameaças contra os profissionais de comunicação.
“Matar um jornalista é obviamente uma forma extrema de censura, mas devemos lembrar também que muitos jornalistas e trabalhadores de mídia sofrem outras várias formas de intimidação, tanto emocionais como físicas e, em alguns casos, também chegam a ser presos arbitrariamente.”
Muñoz destacou que o Plano de Ação da ONU já está em implementação no Sudão do Sul, Paquistão, Nepal e Iraque. Na América Latina, além do Brasil, Honduras, Colômbia, México e Guatemala estão avaliando as mais de 120 ações concretas de proteção propostas pela UNESCO.
O diretor do UNIC Rio, Giancarlo Summa, lembrou que a censura prévia imposta pela Justiça, assim como a autocensura, são riscos à democracia tanto quanto a violência contra jornalistas.
Summa destacou que diversos países possuem aparato estatal de espionagem e intimidação de comunicadores e afirmou que a liberdade de expressão também é ameaçada pela concentração de meios de comunicação.
“A concentração da propriedade dos meios de comunicação é também uma ameaça contra a liberdade de expressão porque diminui a pluralidade das opiniões que podem ser e são transmitidas, divulgadas através dos meios de comunicação profissionais, de empresas de comunicação.”
A Conferência Global contou com a participação de 1,3 mil profissionais de comunicação de 87 países.
Militantes fizeram um ato para cobrar a criação do Conselho de Comunicação do DF.
O debate faz parte da Semana Nacional pela Democratização da Comunicação e ocorrerá nesta quinta-feira, 17/10, às 19h, no auditório do SJPDF.