A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) atualizou o levantamento sobre violações cometidas contra os profissionais de imprensa nas coberturas de manifestações. O novo relatório aponta que, de maio de 2013 a 24 de março deste ano, houve 163 casos de agressões ou detenções.

De acordo com a entidade, o 163º caso de agressão foi registrado no último sábado (22/3) durante a Marcha da Família em São Paulo. O fotógrafo Leo Martins foi atingido na cabeça por manifestantes. Além dele, foram acrescentados outros 24 episódios. As informações complementares foram compiladas pela ONG Artigo 19.

O levantamento apontou que em 104 casos as vítimas relataram que o ataque foi deliberado, isto é, ocorreu apesar da identificação do profissional. Desses casos, 82 foram executados por policiais, guardas municipais ou seguranças. Manifestantes foram responsáveis por 22 ataques. Em 31 casos, no entanto, a Abraji não conseguiu confirmar se o ataque foi intencional ou não.

São Paulo (SP) foi a cidade em que casos deliberados envolvendo a polícia ocorreram mais vezes (48%), principalmente no dia 13 de junho de 2013, que contabilizou 15 ocorrências e 22 de fevereiro de 2014, com 10 ações. O 7 de setembro também acumulou um número alto. Foram 24 casos registrados em Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG).

Publicado pelo Portal Imprensa

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As más condições de trabalho dos jornalistas prejudicam a cobertura da Copa do Mundo e das Olimpíadas. O assunto foi discutido durante a mesa ‘Ética e exercício profissional no contexto dos megaeventos’ do congresso realizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro na última semana.

O enxugamento das redações, por exemplo, compromete a realização de matérias de interesse público, como as que detalham os gastos nas obras e demais impactos de eventos de grande porte. Para Bia Barbosa, representante da Comissão de Ética da Federação Nacional dos Jotnalistas (Fenaj), a apuração dos repórteres está sendo censurada em prol de interesses econômicos ou políticos dos donos dos veículos.

“Os órgãos de comunicação formaram uma posição editorial que criminaliza os movimentos contra a Copa. Prova disso é o escasso noticiário sobre as remoções nos órgãos da grande mídia”, afirma Bia, de acordo com o sindicato. O historiador Renato Lemos, que também compôs a mesa, argumentou que o evento está sendo pautado pelo que é vantajoso aos grande conglomerados econômicos. “Quem tem interesse no legado da Copa é a população que vive aqui, mas essa não é uma Copa para a maioria da população. É um evento voltado para um público abastado”.

Coordenador do Instituto Mais Democracia, Carlos Tautz, criticou o tratamento que a imprensa está dando às mudanças que ocorrem na cidade por causa dos eventos. “A cobertura jornalística feita pelos grandes veículos de comunicação sobre as intervenções urbanísticas profundas que o Rio passa hoje é rebaixada”, afirma.

Fonte: Comunique-se

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