O mês de dezembro marca o encerramento do período de inscrições de importantes bolsas de estudo internacionais abertas a jornalistas do Brasil. As oportunidades são destinadas, principalmente, a profissionais com experiência no mercado que buscam aprimorar as habilidades e técnicas jornalísticas. Confira lista elaborada pela rede de jornalistas internacionais Ijnet:
Bolsa Knight em Stanford - Até 1º de dezembro
A Universidade de Stanford oferece o programa John S. Knight Journalism Fellowships para jornalistas experientes por 10 meses nos Estados Unidos para pesquisas sobre empreendedorismo, inovação e liderança. A bolsa tem o valor de US$65.000 e cobre os custos de moradia, transporte, seguro-saúde, livros. Para mais informações, clique aqui.
Bolsas Nieman em Harvard - Até 1º de dezembro
A Nieman Foundation for Journalism vai receber e hospedar até 12 bolsistas por um ano de pesquisa na Universidade de Harvard, onde os estudantes acompanharão seminários e workshops. A fluência em inglês é fundamental. Inscreva-se aqui.
Thomson Reuters oferece workshop sobre notícias de negócios - Até 9 de dezembro
A Thomson Reuters Foundation está oferecendo workshop em Londres, sobre notícias financeiras e de negócios para jornalistas. O curso será realizado em março de 2014 em Londres. A seleção contemplará profissionais que trabalham para organizações sem recursos de treinamento, que terão suas despesas de viagem, alojamento e custos de vida cobertas. Veja detalhes aqui.
Curso de fotografia na Universidade de Nova Iorque - Até 9 de dezembro
Estudantes de fotografia e profissionais podem se inscrever para o programa da Universidade de Nova Iorque. A Magnum Foundation e o Departamento de Fotografia e Imagem da Tisch School of the Arts estão cursos de seis semanas. O treinamento explora estratégias de apresentação tradicionais e multimídia para fotografia e documentários. Acesse aqui.
GlobalPost oferece bolsas para reportagem sobre desemprego – Até 31 de dezembro
Jornalistas podem criar projetos multimídia otimizados para celulares, contando histórias humanas relacionadas com a crise do desemprego dos jovens. O convite é do GlobalPost para a bolsa de de reportagem GroundTruth. O trabalho será feito em 10 países onde a questão do desemprego entre os jovens se desenrola de forma dramática, como no Brasil, Egito, Kosovo, Nigéria e Espanha. Conheça o processo aqui
Escrito por: Najla Passos
Fonte: Carta Maior
Segundo Alessandro Molon (PT-RJ), ponto nevrálgico para o entendimento continua sendo as posições divergentes sobre o princípio da neutralidade da rede.
Representantes de mais de dez entidades que defendem a democratização da mídia e parlamentares solidários à causa realizaram nesta quarta (26), na Câmara, mais um ato público pela aprovação do novo marco civil da internet, que tranca a pauta de votações da casa há um mês. Os líderes dos partidos, porém, decidiram adiar mais uma vez a votação, já que ainda não firmaram acordo sobre o mérito da matéria, que tramita na Câmara há dois anos.
O projeto, de autoria do governo, foi construído com ampla participação dos movimentos sociais e, por isso, recebe o apoio até mesmo de partidos da oposição, como o PSOL. Contraditoriamente, a oposição mais ferrenha parte do principal partido da base aliada, o PMDB, cujo líder, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), personificou a defesa dos interesses das teles.
No artigo “Interesses de fundo”, publicado ontem na Folha de S. Paulo, Cunha tente se despir da pecha que, segundo afirma, lhe foi imputada “somente por má fé”, para tentar constrangê-lo. Mas não é preciso ser especialista em análise de discurso para observar que, no próprio texto, se coloca no lugar do investidor – e não do usuário – para criticar a proposta: “Seria uma péssima sinalização para o mercado internacional, que já considera a postura brasileira intervencionista, pouco atraente”.
O relator da matéria, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), afirma que já se reuniu com 13 bancadas para debater a proposta e construir o consenso necessário para sua aprovação, com sucesso. Ainda nesta quarta, pretendia dialogar com mais três.
Faltariam, portanto, outras quatro, antes de fechar um novo relatório sobre a matéria. Dentre elas a do PMDB. “Eu teria o maior prazer em debater o projeto com o eles, mas não fui convidado”, afirmou à Carta Maior.
Segundo ele, o ponto nevrálgico para o entendimento continua sendo as posições divergentes sobre o princípio da neutralidade da rede: governo e movimentos sociais querem manter, mas o PMDB não aceita negociar. “Sem a neutralidade da rede, o internauta perde sua liberdade de escolha. São as empresas que irão determinar o que a pessoa poderá acessar. A internet ficará mais cara e pior”, observa o relator, explicando que, sem a garantia da neutralidade, a depender do pacote contratado, o acesso poderá ficar restrito, por exemplo, apenas ao acesso ao e-mail.
Mas, apesar do impasse, continua otimista que, até esta quinta (27), consiga fechar uma data de votação para a matéria. “Temos que virar 2013 com o marco civil da internet aprovado para que o Brasil sinalize, para dentro e para fora, que queremos uma internet livre, democrática, descentralizada e segura”, afirmou.
O deputado Nilson Leite (PT-SP) destacou a importância de se garantir outro ponto do projeto bastante criticado pelos representantes das teles: a obrigatoriedade das operadoras manterem suas centrais de dados no Brasil. “Após as denúncias de Snoldew, nós convocamos todas as operadoras para prestarem esclarecimentos e descobrimos que todas elas mantém seus data-centers nos Estados Unidos e prestam contas à justiça norte-americana”, observou.
Para o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), os movimentos sociais precisam continuar pressionando para que o legislativo atue de forma a garantir os interesses sociais da população, e não os interesses empresariais de uma minoria. E alertou que a pressão das teles sobre os parlamentares tende a se tornar cada vez mais acirrada. “As teles não querem perder esse filão de mercado, que é vender internet a preços populares para que o internauta acesse apenas os conteúdos indicados por elas”, justificou.
Representando o Coletivo Intervozes, Bia Barbosa corroborou a necessidade de pressão dos movimentos sociais sobre os deputados para que o projeto seja aprovado ainda este ano, sem alterações que comprometam não só a neutralidade da rede, mas também a democratização do acesso e a liberdade de expressão.
“As teles fazem um lobby muito pesado. Estamos em véspera de ano eleitoral. Há acordos políticos sendo fechados. Há a questão do financiamento de campanha. Precisamos nos manter atentos”, afirmou.
Presidente da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão, a deputada Luíza Erundina defendeu que a matéria seja colocada imediatamente em votação.
Segundo ela, não há necessidade de se firmar acordo entre os líderes para que o projeto seja apreciado. “Nem sempre se tem unanimidade, mas é por isso que vale o desejo da maioria”, esclareceu.
A Abraji lamenta a agressão contra o repórter da Folha de S.Paulo Daniel Vasques, que fotografava com o celular o acidente nas obras do Itaquerão, em São Paulo, nesta quarta-feira (27.nov.2013).
O ex-presidente do Corinthians Andres Sanchez, um funcionário da Odebrecht e seguranças tentaram obrigar o jornalista a entregar o telefone com as fotos do acidente. Um policial militar que estava no local também pressionou Vasques a abrir mão do telefone. Intimidado, o profissional apagou as imagens e acabou expulso do canteiro de obras.
A Abraji lamenta este novo episódio de violência contra a imprensa. Ao agir dessa maneira, o ex-dirigente do Corinthians e o funcionário da Odebrecht atentam contra a liberdade de expressão e o direito à informação. Ao apoiá-los, o policial militar posiciona o Estado contra um direito fundamental do jornalista e da sociedade. Além de Daniel Vasques, que foi agredido, toda a sociedade sai prejudicada do episódio.
Diretoria da Abraji, 27 de novembro de 2013
Andrés nega agressão a jornalista; Abraji lamenta incidente
O ex-presidente do Corinthians e responsável pelas obras do novo estádio do clube, Andrés Sanchez, negou nesta quarta-feira que tenha agredido o repórter da Folha de S. Paulo. O problema ocorreu após a queda de um guindaste, o que danificou parte do prédio e causou a morte de dois operários.
De acordo com a publicação, o repórter Daniel Vasques foi intimidado por Andrés, seguranças e um policial militar, que pediu para entregar um telefone celular. Por conta disso, foi obrigado a apagar as fotos que havia feito do trecho da obra onde o acidente aconteceu. Neste momento, foi agredido pelo dirigente e seus seguranças.
Durante pronunciamento à imprensa, Andrés aproveitou a palavra para negar o ocorrido. “O repórter invadiu em uma área restrita, delimitada pelos bombeiros e policiais, para avaliar o acidente ocorrido na obra. Ele mentiu, dizendo que era funcionário da Odebrech para ter acesso ao local e foi retirado. Eu não encostei nele em momento algum”, disse o dirigente.
Em nota, a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) lamentou o ocorrido. “A Abraji lamenta este novo episódio de violência contra a imprensa. Ao agir dessa maneira, o ex-dirigente do Corinthians e o funcionário da Odebrecht atentam contra a liberdade de expressão e o direito à informação”, diz a mensagem.
A violência das forças de segurança e de manifestantes contra os profissionais de imprensa foi debatida durante audiência pública, na última terça-feira (26/11), na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro (RJ).
Segundo a Agência Brasil, a iniciativa foi do vereador Reimont (PT) e contou com integrantes das Organizações das Nações Unidas (ONU), da Polícia Militar (PM), da Polícia Civil, da Ordem dos Advogados do Brasil e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RJ.
A presidente do sindicato dos jornalistas, Paula Máiran, destacou a necessidade de se criar um grupo de trabalho no qual envolve todos os participantes das manifestações para construir uma solução menos hostil para o ano de 2014.
Já o relações públicas da PM, tenente-coronel Claudio Costa, assegurou que a corporação se esforçará para diminuir o uso de armas não letais, em especial, balas de borracha, além de elevar a carga horária nos cursos de formação dos novos recrutas.
A presidente do sindicato entregou ao vereador um dossiê compilado pela entidade com casos de agressão e hostilidade contra jornalistas. O documento aponta que o RJ obtém 20% dos incidentes de violência no país. O relatório também será enviado às autoridades de segurança pública do estado, às entidades de classe, às organizações de defesa dos direitos humanos, ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao Ministério Público Estadual.