Os jornalistas que foram demitidos ou pediram desligamento terão direito ao PLR proporcional.
Em maio de 2012, o jornalista Cristian Góes publicou em um portal de notícias de Sergipe o texto ficcional intitulado “eu, o coronel em mim”, uma crônica sobre o exercício de poder que poderia se adequar a qualquer contexto, época, local e personagens.
Entretanto, sob a interpretação dúbia e fundada de subjetividade, o Desembargador e atual Vice-Presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe, Edson Ulisses, e o Ministério Público Estadual de Sergipe (MPE) moveram dois processos - um criminal e outro cível - contra o jornalista, alegando que o personagem “jagunço das leis” se traduziria na figura do Desembargador.
Em julho de 2013, em um julgamento extremamente ágil, o Judiciário sergipano já condenava o jornalista a mais de sete meses de prisão.
A partir da defesa integral da liberdade de expressão, o caso começou a ganhar uma repercussão nacional e internacional, inclusive com uma denúncia formalizada na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), em outubro de 2013.
No entanto, mesmo com toda pressão exercida em torno do caso, em mais uma posição refratária do Poder Judiciário brasileiro, o recurso impetrado no Supremo Tribunal Federal com o pedido de revisão da condenação em solo sergipano foi negado, no último dia 15 de agosto, sem sequer ter o seu mérito julgado.
Todas as entidades que assinam essa nota entendem essas reiteradas ações do Poder Judiciário, em nível estadual e federal, como um atentado ao exercício da cidadania, da liberdade de expressão e de uma verdadeira justiça que não oprima o pensamento e sim garanta as condições de igualdade para a manifestação das mais diferentes opiniões, exercício basilar de qualquer sociedade democrática.
Por isso, viemos através dessa nota pública manifestar, ao mesmo tempo, o repúdio para todas as decisões do Poder Judiciário sobre o caso até então e esperar que as próximas decisões possam reverter o atual quadro, além de reiterar o apoio ao jornalista Cristian Góes neste momento tão difícil para a sua vida e de toda a sua família.
Seguimos na luta por liberdade e pela verdadeira justiça!
Somos todos Cristian Góes!
21 de agosto de 2014.
Assinam a nota:
ANEL – ASSEMBLEIA NACIONAL DE ESTUDANTES LIVRES
ARPUB – ASSOCIAÇÃO DE RADIOS PÚBLICAS DO BRASIL
BARÃO DE ITARARÉ
CENTRAL DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DO BRASIL - CTB
CENTRAL SINDICAL E POPULAR – CONLUTAS
CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES – CUT
COLETIVO DE MULHERES DE ARACAJU
CORPO DISCENTE DO MESTRADO EM COMUNICAÇÃO DA UFS
FEDERAÇÃO NACIONAL DOS JORNALISTAS – FENAJ
FÓRUM NACIONAL PELA DEMOCRATIZAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES - FNDC
INSTITUTO BRAÇOS
INTERVOZES – COLETIVO BRASIL DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE
MANDATO DA DEPUTADA ESTADUAL ANA LUCIA (PT)
MANDATO DO VEREADOR DE ARACAJU IRAN BARBOSA (PT)
MOVIMENTO MULHERES EM LUTA - MML
MOVIMENTO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS - MNDH
PCB - PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO
PSOL – PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE
PSTU – PARTIDO SOCIALISTA DOS TRABALHADORES UNIFICADO
RUA - JUVENTUDE ANTICAPITALISTA
SINDICATO DOS BANCARIOS DE SERGIPE
SINDICATO DOS JORNALISTAS DE SERGIPE - SINDIJOR
SINDICATO DOS PETROLEIROS DE ALAGOAS E SERGIPE – SINDIPETRO AL/SE
SINDICATO DOS RADIALISTAS DE SERGIPE
SINDICATO DOS SERVIDORES DO PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE SERGIPE - SINDIJUS
SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO DE SERGIPE - SINTESE
UNIÃO BRASILEIRA DE MULHERES - UBM
UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA - UJC
Serviços de inteligência do Reino Unido e a organização policial internacional Interpol manifestaram-se nesta quinta-feira (21/8) a respeito da morte de James Foley. O jornalista norte-americano foi executado por jihadistas do Estado Islâmico, em vídeo que rodou o mundo na última quarta-feira (20/8).
Segundo a AFP, Ronald Noble, secretário-geral da Interpol, afirmou que a ação do Estado Islâmico "deixa patente a magnitude da depravação em sua campanha de terror na Síria e no Iraque". Ele também enfatizou a "necessidade de uma resposta multilateral contra a ameaça do terror de combatentes radicalizados transnacionais que se deslocam nas zonas de conflito no Oriente Médio".
Para autoridades inglesas, como o serviço de inteligência MI6 e o corpo policial Scotland Yard, o caso merece atenção especial: o "carrasco" de Foley que aparece no vídeo fala inglês com sotaque britânico. Segundo a BBC, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, afirmou que é "cada vez mais provável" que o suposto assassino seja da Inglaterra, mas acrescentou que a hora não é para "reações de reflexo".
Segundo o Guardian, o primeiro nome do suposto executor seria "John" e ele pode ser morador de Londres, conforme investigações preliminares dos serviços de segurança do Reino Unido. A Polícia Metropolitana britânica alerta ainda que assistir, baixar ou divulgar o vídeo da morte de Foley pode ser considerado crime no país, de acordo com as leis de terrorismo locais.
A tensão no Iraque ganhou força após o grupo radical Estado Islâmico (EI) divulgar o vídeo da morte do jornalista americano James Foley. Além dele, outro repórter dos EUA, Steven Joel Sotlof, aparece sob ameaça da facção.
Para tentar intervir na ação do grupo, os familiares e amigos do jornalista criaram uma petição e enviaram a Casa Branca pedindo que o presidente do país, Barack Obama, faça o possível para libertar Sotlof.
Em entrevista ao canal CNN, Emerson Lotzia, colega de faculdade de Sotloff, comentou a situação. "O problema é que ele era um jornalista freelancer de baixo reconhecimento. Sua família não queria vê-lo na mídia porque tinham medo de retaliação. Se algum amigo me perguntava sobre ele, eu dizia que não o tinha visto", contou.
Segundo ele, é a primeira vez que a família tem notícias sobre o repórter desde dezembro do ano passado. Ainda não está claro quando Sotloff e Foley foram levados para o cativeiro do grupo, explicou ele.
O jornalista frequentava a Universidade da Florida. O editor de seu jornal na instituição, Ashley Burns, elogiou o trabalho que Sotloff faz e sua coragem. "Ele escreve com uma paixão incrível sobre Benghazi e suas experiências na Síria e Turquia. Ao mesmo tempo mostra a situação das pessoas que conheceu nesses países", declarou.
Um negociador do FBI disse que a ameaça contra a vida do repórter está aberto a negociações de resgate, mas não acredita em "uma longa discussão." Para ele, o preço seria "bem mais de um milhão de dólares."