Após demitir jornalistas e radialistas, Globo é alvo de protesto no Rio, São Paulo e Brasília

Após demitir dezenas de jornalistas e radialistas, a Globo foi alvo de um protesto, na última terça-feira (11/04). A manifestação aconteceu em frente às sedes da emissora no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. As atividades foram realizadas pelos Sindicatos dos Jornalistas e Radialistas, com apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).

No início do mês, a emissora dispensou dezenas de jornalistas e radialistas. Os cortes atingiram profissionais que atuavam na TV Globo, na GloboNews e no G1, em três cidades: Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife. A empresa alega que as demissões “fazem parte da dinâmica” de qualquer organização. No entanto, a FENAJ e os Sindicatos filados denunciam a demissão coletiva e o caráter etarista, diante do perfil dos trabalhadores dispensados.

Eduardo Tchao, Flávia Jannuzzi, Marcelo Canellas e Mônica Sanches, também com anos de trabalhos para a TV Globo, foram demitidos em 4 de abril.

Desde os primeiros cortes, a FENAJ e os Sindicatos buscam uma reunião conjunta com a direção da empresa para dialogar sobre novas dispensas e negociar, de maneira coletiva, indenizações e benefícios extras aos trabalhadores demitidos. Mas a direção da emissora insiste em reuniões separadas, conforme e-mail enviado aos dirigentes por Edmundo Lopes, gerente de Relações Trabalhistas e Sindicais da Globo.

“Levamos essa situação da Globo ao conhecimento da Comissão Permanente de Direito à Comunicação e à Liberdade de Expressão, do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), onde denunciamos, em nome da FENAJ e dos Sindicatos de Jornalistas e Radialistas as demissões imotivadas, o descumprimento ao entendimento do STF de que dispensas coletivas devem ser antes negociadas com os representantes dos trabalhadores, além de apontar o sucateamento do jornalismo numa concessão pública, a partir da demissão de profissionais mais experientes”, comenta a presidenta da FENAJ, Samira de Castro.

Ato na sede da Globo em São Paulo

Mais demissões essa semana

Na quarta-feira (12/04), ao menos 16 funcionários do Departamento de Produtos Digitais e Canais Pago da Globo foram demitidos. Essa é a terceira onda de desligamentos na emissora, desde o início de abril. Nos dias4 e 5 desse mês, ao menos 17 jornalistas foram dispensados sem justa causa.

Entre os demitidos nesta leva estão três jornalistas de departamento de esportes: o repórter Régis Rösing, o comentarista Maurício Noriega e o narrador Jaime Júnior.

Assim como as dispensas anunciadas no começo de abril, as demissões de agora marcam o fim da relação profissional com jornalistas com décadas de serviços prestados à empresa de comunicação. Rösing, por exemplo, permaneceu na emissora por 33 anos. Noriega ficou 21 anos como comentarista do SporTV. E Júnior permaneceu por quase 15 anos como narrador do canal esportivo.

Ato na sede da Globo em Brasília

Fotos: Divulgação

Leia mais

Fenaj e sindicatos convocam toda a categoria. Em Brasília, será às 13h na frente da empresa, no SRTVN

Leia mais

As entidades sindicais atualizam informações sobre as negociações com a EBC envolvendo o dissídio coletivo:

- A última reunião entre as partes ocorreu na sexta (31/3), conforme já atualizaram os sindicatos, em informe divulgado há poucos dias;
- Foi acordado com a empresa a apresentação de uma proposta de acordo para dissídio, colocando as discussões sobre progressão em paralelo num outro acordo específico, devido a quase 130 ações judiciais, que envolvem mais de 1 mil empregados/as. Tal medida é fundamental para que o acordo não encontre obstáculos para ser homologado pelo TST;
- Os advogados dos sindicatos de Brasília e os advogados da EBC foram ao Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do TRT 10ª Região (TRT10), essa semana, para avaliar como proceder para um acordo específico sobre a questão das progressões, recebendo indicativo positivo em relação à esta possibilidade nas ações em andamento;
- Os sindicatos ainda aguardam uma resposta da direção da empresa sobre a contraproposta de acordo para as progressões apresentada e informação/transparência sobre os "elegíveis";
- Os sindicatos também aguardam da direção da empresa a informação oficial sobre se os termos da proposta apresentada para o acordo 2020/2022 contam, de fato, com aval do SEST/Ministério da Gestão;
- Até o momento, o julgamento do dissídio coletivo não voltou à pauta da SDC do TST, que tem nova sessão prevista para esta segunda-feira (10);
- Por fim, aguardamos que a empresa dê retorno aos sindicatos e apresente uma proposta formal de texto para ser levada à assembleia. Até o momento, vale lembrar, o que foi apresentado pela empresa são termos de uma proposta envolvendo reajustes salariais, concessão das progressões e tickets extras, conforme comunicado do dia 14 de março.

Sindicatos dos Radialistas DF, RJ e SP
Sindicatos dos Jornalistas do DF, SP e RIO

Leia mais

07 de abril - Dia das/os jornalistas

Muito se diz da importância da nossa profissão, mas pouco se reflete sobre as condições em que ela é exercida.

Leia mais

Receber notícias

Acesse o Site