O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento do jornalista, poeta e ativista Luis Turiba (Luiz Artur Toribio), ocorrido nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, em Salvador, aos 76 anos, em decorrência de complicações de saúde.
Pernambucano de nascimento, Turiba adotou Brasília em 1978, cidade que mais tarde o homenageou com o título de Cidadão Brasiliense. Na capital federal, ele construiu uma trajetória brilhante e combativa na imprensa e na cultura. Atuou em veículos como a sucursal da Gazeta Mercantil, o Jornal de Brasília e o Correio Braziliense. Sua competência profissional foi coroada com dois Prêmios Esso de Jornalismo: o primeiro, revelando o encontro de seu então estagiário Renato Manfredini (Renato Russo) com o ministro Delfim Netto; e o segundo, em uma cobertura coletiva sobre condomínios no DF.
Além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria e deste Sindicato, cuja memória de luta contra os anos de chumbo é resgatada no documentário “Cadê o Sindicato que Estava Aqui?”. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar. Esse ciclo de injustiças foi oficialmente reconhecido em 21 de agosto de 2024, quando a Comissão de Anistia lhe concedeu, por unanimidade, a anistia política com um pedido oficial de desculpas em nome do Estado brasileiro — momento em que o poeta, emocionado, declarou que o ato lhe dava "mais força para continuar lutando pela democracia".
Na cultura, Turiba foi um dínamo. Idealizou e editou em Brasília a histórica revista de invenção poética Bric-a-Brac a partir de 1985, além de ter atuado como assessor de comunicação no Ministério da Cultura em gestões marcantes, como as de José Aparecido de Oliveira e Gilberto Gil. Sua sensibilidade poética rendeu-lhe o Prêmio Candango de Literatura em 1998 pelo livro-CD Cadê.
O SJPDF expressa sua solidariedade e condolências aos familiares — em especial aos seus cinco filhos e seis netos —, aos amigos, amigas, colegas de profissão e admiradores deste profissional insubstituível. A partida de Luis Turiba deixa um vazio imenso no jornalismo, na poesia e na defesa da liberdade de expressão, mas seu legado de coragem e sensibilidade continuará a inspirar gerações.
"DESACONTESSÊNCIAS
desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda",
Luís Turiba
Brasília, 26 de agosto de 2026.
Diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF)