Vladimir Herzog: presente!
Na resistência a uma onda incessante de ataques e ameaças ao exercício da nossa profissão, os jornalistas lembram, neste 25 de outubro, mais um aniversário do assassinato de Vladimir Herzog.
Morto sob tortura no sinistro DOI-Codi de São Paulo, Vlado foi uma das últimas vítimas da repressão imposta pela ditadura militar, que tentou - em vão - apresentar o desfecho como "suicídio". Vladimir Herzog tinha então 38 anos e exercia a função de diretor de Jornalismo na TV Cultura, emissora pública estadual.
Apresentou-se voluntariamente ao DOI-Codi, para interrogatório, um dia depois de agentes terem tentado prendê-lo no local de trabalho. Vlado, pai de dois filhos, tinha vida legal e pública. O "crime" pelo qual foi citado em inquérito da ditadura foi o de pertencer ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), então na ilegalidade.
Sua prisão e assassinato foram parte de uma campanha de extermínio dos órgãos de repressão contra o PCB e setores mais consequentes da oposição legal ao regime. Lembramos os 46 anos da morte de Vladimir Herzog ainda sob o impacto da entrega do Prêmio Nobel da Paz a dois jornalistas perseguidos em seus países pela defesa intransigente da liberdade de imprensa.
Num momento em que se sucedem e se acirram, no Brasil, as ofensivas de múltiplas origens contra o exercício da nossa profissão. Em especial, enfrentamos agressões verbais e ameaças reiteradas por parte do presidente Jair Bolsonaro, que não apenas ofende os jornalistas e o jornalismo, mas incentiva e autoriza desmandos por parte de seus apoiadores.
O SJPDF reafirma, neste 25 de outubro, a memória de Vlado e das demais vítimas da ditadura, em especial os jornalistas. E renova o compromisso de luta para que jamais o Brasil volte a viver os dias sombrios do regime imposto pelos generais.