Cerca de 50 Jornalistas do DF de vários setores (das imprensas comercial, alternativa e sindical) participaram no dia 11 de agosto da “Oficina de segurança para profissionais da imprensa em áreas de manifestação pública”, no Auditório do Comando Geral da Polícia Militar do DF, localizado no Setor Policial Sul. Proposta pela Secretária de Segurança Pública e Paz Social do DF (SSP-DF), a oficina foi resultado das cobranças realizadas pelo Sindicato dos Jornalistas do DF junto ao GDF. Os diálogos foram iniciados logo depois da violência ocorrida contra jornalistas durante a cobertura do Ocupa Brasília, em maio deste ano, quando pelo menos nove jornalistas foram agredidos por policiais (confira dossiê completo com todos os casos aqui). O Sindicato das Empresas de Televisões, Rádios, Revistas e Jornais do DF também foi convidado para fazer parte das discussões.
No entanto, a cobrança pela garantia da segurança dos jornalistas por parte do SJPDF não é um pleito novo. Desde 2013, quando ocorreram manifestações em todo o país para contestar os aumentos das tarifas de transporte público, o Sindicato já alertava tanto o GDF quanto as empresas de comunicação sobre a importância das garantias de seguranças dos profissionais e do fornecimento de Equipamento de Proteção Individual (EPI), além do respeito por parte da polícia ao trabalho dos jornalistas e à necessidade de identificação tanto dos profissionais da imprensa quanto dos policiais.
A oficina foi composta por apresentação das regras seguidas pelas forças policiais durante coberturas de tensões, bem como treinos táticos, com exibições de manobras, de armamentos e equipamentos de uso letal.
Ao mesmo tempo que a capacitação foi elogiada pelos profissionais de imprensa, os jornalistas presentes também questionaram diversas questões como o fato dos policiais não se identificarem, de agredirem os jornalistas e o público em geral e de realizarem prisões em flagrante sem argumentos para tal ato, entre outros questionamentos.
O SJPDF foi representado por seis diretores. Na avaliação do Sindicato, o curso foi uma iniciativa positiva, mas é preciso se avançar mais. “O diálogo que estamos tentando fazer com o GDF é, em primeiro lugar, pelo respeito ao direito à liberdade de expressão e também pela livre manifestação, ambos assegurados na Constituição”, afirma Reginaldo Marcos Aguiar, coordenador-administrativo do SJPDF.
"A oficina mostrou que as forças de segurança ainda são incapazes de entender seu papel em um regime democrático. Segurança não é sinônimo de repressão. Continuaremos a lutar pela liberdade de expressão e de manifestação", completa Gésio Passos, coordenador-geral do SJPDF.