Depois da mediação do Tribunal Regional do Trabalho (veja mais aqui), os sindicatos dos Jornalistas do DF e das Empresas do setor (Sinterj/DF) voltaram a realizar nesta quinta-feira, 28/9, mais uma mesa de negociação da Convenção Coletiva de Trabalho dos Jornalistas do DF 2016/2017.
Os patrões não trouxeram nenhuma proposta nova para a negociação sob a alegação de que o SJPDF haveria saído da mesa de negociação, visto que entrou com um pedido de dissídio junto à Justiça de Trabalho.
Os diretores do Sindicato dos Jornalistas foram enfáticos em afirmar que não haviam saído nem interrompido a negociação e que o dissídio é um recurso diante da ausência de avanços concretos. Mesmo com o dissídio eles reforçaram que as duas partes devem continuar buscando uma saída para o impasse no sentido de tentar ir além do que está posto na mesa. Até porque não há garantia de que o Tribunal irá acolher o pedido.
A realização da reunião havia ficado acordada ao fim da medição realizada pelo TRT. Os representantes do SJPDF defenderam que o encontro pudesse avançar na negociação das cláusulas sociais para "limpar" a pauta que será analisada pelo tribunal.
As empresas voltaram a colocar as dificuldades financeiras e afirmaram que caso haja julgamento do dissídio as consequências podem não ser boas para nenhum dos lados. Os diretores do Sindicato responderam que o dissídio foi uma opção da categoria resultado da oferta colocada pelo Sinterj. Eles cobraram que as duas partes pudessem avançar em exercícios, lembrando que qualquer proposta só pode vir a ser aprovada após assembleia e consulta às redações.
“Os patrões estão utilizando a mesma estratégia dos anos anteriores a de cansar a categoria sem a apresentação de propostas novas. E agora eles querem jogar para a conta do sindicato laboral a falta de avanço na negociação. Nós não paramos a negociação, nós queremos avançar nos acordo. Mas é preciso que as empresas também tenham disposição de pensar em alternativas”, afirma Wanderlei Pozzembom, coordenador-geral do SJPDF.
Cenário das negociações
A negociação deste ano foi iniciada em fevereiro. Sem avanços, as propostas dos patrões são muito ruins. O Sindicato patronal tem trabalhado com um índice de reajuste muito baixo e avançou pouco nas outras cláusulas econômicas. Os progressos nas negociações das cláusulas sociais também são irrisórios. Para resolver o impasse nas negociações, a categoria realizou mobilizações e também aprovou em assembleia o pedido de dissídio coletivo junto à Justiça do Trabalho. O SJPDF entrou com a solicitação de medição da Justiça do Trabalho no caso, bem como com o pedido de dissídio coletivo. A primeira audiência ocorreu no dia 23/9, mas as partes não entraram em acordo.
Propostas
Os empresários oferecem reajustes dos salários e do piso (5% e 5,5% de aumento, respectivamente), os empresários também continuaram com a proposta de acabar com o retroativo. Para tentar compensar, o piso da Participação nos Lucros e Resultados passou de R$ 900 para R$ 1.150 e foi oferecido um abono de R$ 600 a ser pago até junho de 2017, que, segundo os empresários, compensaria o retroativo retirado.
Os jornalistas lutam por um reajuste de 11,33% (resultado do índice da inflação calculado com base no INPC, de 9,91% mais 1,42% de recuperação de perdas do ano passado). A proposta laboral também prevê piso de R$ 2.470. Na Participação nos Lucros e Resultados (também conhecida como abono), os jornalistas solicitam 35% de aumento, com o teto R$ 2.800 e o piso de R$ 2.300 (Confira o quadro comparativo de propostas abaixo).
Comparação de propostas
| Proposta dos trabalhadores | Proposta dos Patrões | |
| Reajuste | INPC (9,91%) + 1,42% | 5% de aumento sem retroativo (inclusão de proposta de abono de R$600 a ser pago até junho de 2017) |
| Piso | RS 2.470 | R$ 2.370 (5,5%) |
| PLR | 35% da remuneração - Teto - R$ 2.800 - Piso - R$ 2.300 |
35% da remuneração Teto – R$ 1.350 Piso – R$ 1.150 |
| Auxílio-alimentação | Mínimo de R$ 380 por mês (R$ 19 por dia) e, para quem ganha mais do que isso, reajuste segundo o INPC | Sem reajuste no valor mínimo |
| Auxílio-creche | Mínimo de R$ 500 e reposição segundo INPC . Educação para quem recebe além desse valor | R$ 450 (7,1%) |
| Seguro de vida | Reajuste de 14,42% | Reajuste de 7% |
| Horas-extras | Adicional de 80% e compensação correspondente | Manter |
Veja mais sobre a negociação aqui http://www.sjpdf.org.br/a
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