O ato realizado em frente ao Correio Braziliense nessa quarta-feira, 14/9, deu início às atividades da semana de mobilização da Campanha Salarial 2016. Nesta quinta, os jornalistas foram convidados a vestir preto para denunciar as propostas dos patrões que contam com a retirada do retroativo, o aumento salarial de 5% (muito abaixo do índice inflacionário) e a redução da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A falta de avanços na negociação das cláusulas sociais também é outro fator negativo dos acordos da Convenção Coletiva de Trabalho dos Jornalistas 2016/2017.
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Os jornalistas do Correio Braziliense aproveitaram o ato da Campanha Salarial 2016 para reivindicar o repasse integral dos salários dos editores, o não recolhimento do FGTS e problemas com os salários dos estagiários. Durante o ato, os funcionários do Correio lembraram ainda das duas paralisações que foram realizadas em junto pelos trabalhadores. À época, os empregados enfrentavam problemas com o pagamento do retroativo, da PLR, atrasos de salários dos jornalistas free lanceres e do auxílio-alimentação. Com as paralisações, a empresa reagiu e fez a proposta de um acordo com os jornalistas. Com a emissão de debêntures, o Correio pagou as pendências financeiras, restando a regularização do FGTS.
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Campanha Salarial
A negociação deste ano foi iniciada em fevereiro. Sem avanços, as propostas dos patrões são muito ruins. O Sindicato patronal tem trabalhado com um índice de reajuste muito baixo e avançou pouco nas outras cláusulas econômicas. Os progressos nas negociações das cláusulas sociais também são irrisórios. A última contraproposta dos patrões foi recusada pela categoria, que critica a retirada do retroativo, o reajuste pela metade e a redução drástica dos valores da Participação nos Lucros e Resultados.
Os empresários oferecem reajustes dos salários e do piso (5% e 5,5% de aumento, respectivamente), os empresários também continuaram com a proposta de acabar com o retroativo. Para tentar compensar, o piso da Participação nos Lucros e Resultados passou de R$ 900 para R$ 1.150 e foi oferecido um abono de R$ 600 a ser pago até junho de 2017, que, segundo os empresários, compensaria o retroativo retirado.
Os jornalistas lutam por um reajuste de 11,33% (resultado do índice da inflação calculado com base no INPC, de 9,91% mais 1,42% de recuperação de perdas do ano passado). A proposta laboral também prevê piso de R$ 2.470. Na Participação nos Lucros e Resultados (também conhecida como abono), os jornalistas solicitam 35% de aumento, com o teto R$ 2.800 e o piso de R$ 2.300 (Confira o quadro comparativo de propostas abaixo).
Comparação de propostas
| Proposta dos trabalhadores | Proposta dos Patrões | |
| Reajuste | INPC (9,91%) + 1,42% | 5% de aumento sem retroativo (inclusão de proposta de abono de R$600 a ser pago até junho de 2017) |
| Piso | RS 2.470 | R$ 2.370 (5,5%) |
| PLR | 35% da remuneração - Teto - R$ 2.800 - Piso - R$ 2.300 |
35% da remuneração Teto – R$ 1.350 Piso – R$ 1.150 |
| Auxílio-alimentação | Mínimo de R$ 380 por mês (R$ 19 por dia) e, para quem ganha mais do que isso, reajuste segundo o INPC | Sem reajuste no valor mínimo |
| Auxílio-creche | Mínimo de R$ 500 e reposição segundo INPC . Educação para quem recebe além desse valor | R$ 450 (7,1%) |
| Seguro de vida | Reajuste de 14,42% | Reajuste de 7% |
| Horas-extras | Adicional de 80% e compensação correspondente | Manter cláusula atual |