Os trabalhadores do Correio Braziliense e os representantes do Sindicato dos Jornalistas do DF se reuniram mais uma vez com a direção do Correio Braziliense na última sexta-feira, 19/8, para tratar de pendências financeiras. Os funcionários do veículo voltaram a cobrar o pagamento do auxílio-alimentação deste mês e o repasse integral do salário dos editores, que em agosto foi feito pela metade. Outros problemas discutidos em reunião foram a falta de pagamento das férias e os atrasos no recolhimento do FGTS.
Os representantes da empresa afirmaram que as questões dos atrasos do auxílio-alimentação, salários dos editores e não pagamento das férias serão solucionados até o dia 30 de agosto. No entanto, na reunião do dia 5/8, a empresa já tinha prometido que a quitação dessas pendências seria feita no dia 18 deste mês.
FGTS
A regularização do FGTS, problema que se arrasta há mais de dois anos na empresa, também voltou a ser pautada na reunião. Representantes do Correio disseram que só conseguirão quitar a divida do FGTS com os trabalhadores depois que viabilizarem o restante de recursos por meio de debentures.
Diante do impasse, a diretoria do SJPDF solicitou que o veículo apresente, na próxima reunião no dia 2/9, um calendário de regularização por ordem de prioridades, com indicações de quem serão os primeiros a receber e previsão de data para os pagamentos.
Wanderlei Pozzembom, coordenador-geral do SJPDF, relembrou durante a reunião que desde junho 2014 o Sindicato tem cobrado uma posição da empresa em relação aos atrasos do FGTS. “Em setembro de 2014, tivemos a informação da direção que havia sido feita uma negociação com a Caixa Econômica Federal para regularizar o benefício. De lá para cá, nada foi resolvido. Precisamos de uma resposta mais concreta para esse problema”, afirma Pozzembom.
Pedidos de Demissão
A situação financeira do jornal tem preocupado seus funcionários. Neste mês, vários pedidos de demissão foram solicitados pelos jornalistas, que não estão satisfeitos com o ambiente de trabalho. Segundo Pozzembom, o problema maior é a falta de garantias trabalhistas. “Quando o trabalhador não pode contar com seus direitos básicos, como é o caso de salários e benefícios efetuados no dia certo, ele tende a desistir do ambiente de trabalho e procura por um novo local que proporcione a segurança dos seus direitos”, completa.
Histórico
A crise financeira do Correio não é nova, mas se acentuou nos últimos meses. A empresa não conseguiu pagar a diferença salarial retroativa da Convenção Coletiva de Trabalho 2015/206, bem como a Participação nos Lucros e Resultados. Foram realizadas várias reuniões e assembleias no primeiro semestre. Frente à proposta de parcelamento dessas duas pendências e do não pagamento dos jornalistas free lancers, os profissionais da redação realizaram duas paralisações históricas em junho.
Com elas, a empresa alterou seu cronograma para adiantar os pagamentos e implantou um cronograma de regularização dos repasses aos jornalistas free lancers. Com a emissão de debêntures, o Correio pagou o restante das obrigações, restando o FGTS e problemas como os mencionados anteriormente.