Mobilizados durante todo o mês de junho, inclusive com a realização de duas paralisações históricas em defesa de seus direitos, os jornalistas do Correio Braziliense conseguiram obter sucesso nas cobranças dos débitos da empresa com eles. A empresa quitou todas as dívidas com os funcionários hoje, 7/7, por conta de um plano de recuperação que passou pela venda de debêntures a investidores.
A empresa efetuou o pagamento do reajuste retroativo e da Participação nos Lucros e Resultados, compromissos firmados pela convenção de trabalho de 2015 que deveriam ter sido acertados até 31/3 com os jornalistas. A quitação dos pagamentos dos jornalistas free lancers, alguns com atrasos de seis meses, a falta do auxílio-alimentação do mês de maio, os pagamentos das férias e de rescisões também foram acertados com os trabalhadores. Agora, a única pendência da empresa é a ausência de recolhimento do FGTS.
”A paralisação foi fundamental para que a empresa se sentisse pressionada a resolver o problema dos jornalistas. No entanto, a nossa maior preocupação hoje é com o futuro do Correio. Não sabemos como a empresa vai manter essa capacidade financeira pra cumprir com o pagamento dos salários e impostos trabalhistas, por exemplo. O fato da empresa penhorar o prédio e pagar as dívidas dos jornalistas não significa uma garantia para o futuro. Sobre o FGTS, a Comissão de Funcionários e o Sindicato irão cobrar para que o Correio estipule uma data para resolver a questão ”, afirma Wanderlei Pozzembom, coordenador-geral do SJPDF.
Histórico
O assunto é objeto de tratativas entre o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF e a empresa desde o ano passado. O prazo para quitação das obrigações da Convenção Coletiva era março. Em assembleia realizada no dia 31 de abril, os trabalhadores decidiram aguardar os repasses até o mês de maio, tendo aprovado paralisação para o dia 15 deste mês. Em nova assembleia, os trabalhadores decidiram aguardar mais uma vez até o pagamento dos salários de junho. Mais uma vez a promessa não se concretizou. Os jornalistas lançaram um calendário de paralisações previsto para 4 dias. Nos dias 9 e 10 de junho eles realizaram a paralisação. Um acordo firmado entre o Correio e os jornalistas levou os trabalhadores a suspenderem o movimento até esta sexta-feira, 30/6. Na sexta-feira, 1/7, os trabalhadores decidiram que irão se manter mobilizados. Nesta quinta-feira, 7/7, por conta de um plano de recuperação a empresa pagou tudo que devia aos jornalistas. A única pendência a ser resolvida é a questão do recolhimento do FGTS.