Os jornalistas do Correio Braziliense voltaram a se reunir em assembleia na última sexta-feira, 17/6. Os profissionais avaliaram o cumprimento do acordo firmado entre eles e a empresa (veja abaixo) e aprovaram a possibilidade de nova paralisação no dia 1o/7 se o Correio não cumprir os compromissos de depositar mil reais referentes ao reajuste salarial retroativo da Convenção Coletiva de Trabalho 2015/2016 e de realizar o pagamento dos free lancers conforme cronograma acertado. Pelo calendário aprovado, a empresa se comprometeu a repassar R$ 1 mil até 30/6 e R$ 2 mil até 18/7 relativos ao retroativo e vai pagar os jornalistas free lancers até as faturas de maio em datas determinadas.
Na assembleia, os trabalhadores também aprovaram a cobrança da Participação nos Lucros e Resultados, que deveria ter sido quitada em março pela empresa, até o dia 30 de julho. Foi aprovada também cobrança de uma resposta quanto ao repasse do restante do retroativo, uma vez que os pagamentos previstos no cronograma só vão contemplar metade da dívida relativa a esta obrigação.
No dia 24, haverá nova reunião entre a comissão de jornalistas e a direção da empresa, com a presença do Sindicato dos Jornalistas. A empresa afirma que é possível já ter novidades quanto ao plano de recuperação que passa pela venda de debêntures a investidores. No dia 30/6 haverá nova assembleia que vai avaliar o cenário para confirmar ou alterar a paralisação marcada para o dia 1º/7.
Motivos da paralisação
Os jornalistas do Correio Braziliense realizaram dois dias de paralisações (9 e 10/6) em defesa de seus direitos. Eles decidiram cruzar os braços em razão do não pagamento do reajuste retroativo e da Participação nos Lucros e Resultados, compromissos firmados pela convenção de trabalho de 2015. A quitação dos pagamentos dos jornalistas free lancers, alguns com atrasos de seis meses, a falta do auxílio-alimentação do mês de maio e a ausência de recolhimento do FGTS também são problemas que motivaram a decisão.
Com a realização das paralisações, a empresa ofereceu uma proposta com prazos para pagamentos dos jornalistas free lancers e pagamento de parte do retroativo em duas datas até o meio de julho. Depois de analisadas pelos jornalistas, a proposta suscitou uma contraproposta com novas reivindicações dos trabalhadores. No segundo dia de paralisação (10/6), os profissionais foram informados da aceitação pela empresa dos novos pleitos. Depois disso, os jornalistas resolveram suspender provisoriamente o movimento. Confira abaixo os itens firmados no acordo:
1) O pagamento de R$ mil até 30/6 e de mais R$ 2 mil até 18/7, o que deve contemplar os retroativos de metade dos jornalistas do veículo. Ou seja, ainda faltariam a outra metade, a PLR, o FGTS e o auxílio-alimentação;
2) O pagamento das faturas dos free lancers segundo o seguinte calendário: faturas de janeiro e anteriores pagas em 10/6; de fevereiro até 17/6; de março até 30/6; e de maio até 18/7, bem como o pagamento das faturas anteriores à janeiro.
3) A correção inflacionária aos pagamentos dos freelas;
4) O compromisso de reuniões semanais com a redação para socializar os avanços em relação à solução da crise financeira e ao pagamento das obrigações trabalhistas pendentes; e
5) A informação de quantas faturas de quantos jornalistas free lancers estão previstas para cada mês.
”Essa paralisação foi fundamental para que a empresa se movesse e cumprisse com pelo menos parte daquilo que deve ao trabalhador. O que não dá é o trabalhador ficar de braço cruzado e a empresa ficar se fingindo de morta e ignorando o trabalhador. Nós temos uma preocupação maior que vai além do pagamento desse acordo. Nos preocupamos com o futuro do Correio Braziliense. Não sabemos como a empresa vai manter essa capacidade financeira pra cumprir com o pagamento dos salários e impostos trabalhistas, por exemplo. O fato da empresa penhorar o prédio ou parcelar as dívidas com os jornalistas não significa uma garantia para o futuro”, afirma Wanderlei Pozzembom, coordenador-geral do SJPDF.
Histórico
O assunto é objeto de tratativas entre o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF e a empresa desde o ano passado. O prazo para quitação das obrigações da Convenção Coletiva era março. Em assembleia realizada no dia 31 deste mês, os trabalhadores decidiram aguardar os repasses até o mês de maio, tendo aprovado paralisação para o dia 15 deste mês. Em nova assembleia, os trabalhadores decidiram aguardar mais uma vez até o pagamento dos salários de junho. Mais uma vez a promessa não se concretizou. Os jornalistas lançaram um calendário de paralisações previsto para 4 dias. Nos dias 9 e 10 de junho eles realizaram a paralisação. Um acordo firmado entre o Correio e os jornalistas levou os trabalhadores a suspenderem o movimento 30/6, quando ocorrerá uma nova assembleia para avaliar o cumprimento dos itens do acordo e o andamento do caso.