Os jornalistas do Correio Braziliense realizaram na última semana duas paralisações históricas em defesa de seus direitos. Na última sexta-feira (10/6), decidiram suspender as paralisações marcadas para este dia 13 e para o dia 14. Mas aprovaram manter a mobilização e marcar nova assembleia na próxima sexta, 17/6, às 17h, para avaliar o cumprimento da proposta feita pela empresa (veja mais abaixo). Na assembleia, poderá ser avaliada a retomada do movimento paredista se o veículo não cumprir com o que prometeu. Também foram aprovadas outras ações de mobilização, como a divulgação de uma carta aberta à sociedade. Os jornalistas decidiram cruzar os braços em razão do não pagamento do reajuste retroativo e da Participação nos Lucros e Resultados, compromissos firmados pela convenção de trabalho de 2015. A quitação dos pagamentos dos jornalistas free lancers, alguns com atrasos de seis meses, a falta do auxílio-alimentação do mês de maio e a ausência de recolhimento do FGTS também são problemas que motivaram a decisão.
Frente à paralisação de quinta-feira, 9/6, a empresa ofereceu uma proposta com prazos para pagamentos dos jornalistas free lancers e pagamento de parte do retroativo em duas datas até o meio de julho. Depois de analisadas pelos jornalistas, a proposta suscitou uma contraproposta com novas reivindicações. Na sexta (10), segundo dia de paralisação, os profissionais foram informados da aceitação pela empresa dos novos pleitos. Eles resolveram então suspender o movimento provisoriamente até a próxima sexta-feira, 17/6, quando o veículo terá que cumprir com mais um pagamento dos free lancers (um dos itens do acordo firmado entre as partes). Confira abaixo os compromissos que o veículo terá que arcar com os trabalhadores:
1) O pagamento de R$ mil até 30/6 e de mais R$ 2 mil até 18/7, o que deve contemplar os retroativos de metade dos jornalistas do veículo. Ou seja, ainda faltariam a outra metade, a PLR, o FGTS e o auxílio-alimentação;
2) O pagamento das faturas dos free lancers segundo o seguinte calendário: faturas de janeiro e anteriores pagas em 10/6; de fevereiro até 17/6; de março até 30/6; e de maio até 18/7, bem como o pagamento das faturas anteriores à janeiro.
3) A correção inflacionária aos pagamentos dos freelas;
4) O compromisso de reuniões semanais com a redação para socializar os avanços em relação à solução da crise financeira e ao pagamento das obrigações trabalhistas pendentes; e
5) A informação de quantas faturas de quantos jornalistas free lancers estão previstas para cada mês.
O Sindicato dos Jornalistas do DF solicitará o acompanhamento do acordo firmado entre as partes pelo Ministério Público do Trabalho do DF. A entidade sindical e os jornalistas também esperam que o Correio consiga fechar a penhora do prédio com os investidores, o que garantirá a quitação de todos os itens irregulares com os trabalhadores.
“Os dois dias de paralisações foram muito importantes para que houvesse o fechamento de uma proposta concreta para os trabalhadores, especialmente o compromisso de pagamentos dos freelas, alguns sem receber há mais de seis meses. A decisão de suspender a paralisação não interrompe o movimento dos trabalhadores de lutar pelos seus direitos. Ao contrário, ela é uma pressão para que a empresa execute o que prometeu. Se não fizer isso, medidas mais radicais poderão ser adotadas”, afirma Wanderlei Pozzembom, coordenador-geral do SJPDF.
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Histórico
O assunto é objeto de tratativas entre o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF e a empresa desde o ano passado. O prazo para quitação das obrigações da Convenção Coletiva era março. Em assembleia realizada no dia 31 deste mês, os trabalhadores decidiram aguardar os repasses até o mês de maio, tendo aprovado paralisação para o dia 15 deste mês. Em nova assembleia, os trabalhadores decidiram aguardar mais uma vez até o pagamento dos salários de junho. Mais uma vez a promessa não se concretizou. Os jornalistas lançaram um calendário de paralisações previsto para 4 dias. Nos dias 9 e 10 de junho eles realizaram a paralisação. Um acordo firmado entre o Correio e os jornalistas levou os trabalhadores a suspenderem o movimento até a próxima sexta-feira, 17/6, quando ocorrerá uma nova assembleia para avaliar o cumprimento dos itens do acordo e o andamento do caso.
Foto: Carlos Moura