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A assessoria de comunicação do Sindicato dos Jornalistas do DF realizou entrevista com o vice-presidente da Santafé Ideias, Maurício Júnior, que participou do “Encontro de Jornalistas em Assessoria de Imprensa do DF". Ele tratou de temas como precarização nos locais de trabalho, assédio moral e demissões de jornalistas, entre outros. Para o jornalista, o profissional precisa “saber que houve uma evolução e que relações com a imprensa é apenas uma das várias atividades de uma agencia". "Para mim", continua, "a formação em jornalismo e experiência em veículos é fundamental. Mas não há 'amizade' que supere uma pauta bem construída”. Leia a entrevista completa abaixo:

SJPDF - Por quais locais você passou antes de chegar à Santafé Ideias?

Maurício Júnior - Minha vida profissional deu-se aqui na Santafé, embora tenha começado bem cedo os estágios em comunicação, no segundo semestre. Na universidade também estive muito envolvido em projeto de pesquisa e fui, durante mais de dois anos, aluno bolsista pelo Programa de Iniciação Científica do CNPq.

Na Santafé, onde entrei em 2003, atuei como jornalista júnior, coordenador, gerente e diretor, antes de me tornar sócio em 2006. Entrei na Santafé meio que por acaso, para fazer um freela para o Etevaldo Dias, fundador e presidente da Santafé. O Etevaldo tinha um cliente que iria fazer exploração de madeira certificada na Amazônia e queria um planejamento de comunicação e relações com a comunidade. Nessa época estava em meu primeiro emprego com carteira assinada, na Proativa Comunicação, do amigo Flávio Rezende. Fiz o freela e a sintonia com o Etevaldo foi tão boa que ele me convidou para vir para a Santafé e fazer projetos de comunicação.

SJPDF - A cada dia a precarização é um dos fatores mais preocupantes no setor. Formas de contratações irregulares, carga horária excedente e assédio moral são alguns dos exemplos das denúncias que recebemos aqui no SJPDF. Para você, quais os motivos desses abusos? 

Maurício Júnior - Qualquer tipo de assédio não tem explicação. É falta de caráter, ética profissional, insegurança do gestor ou um conjunto desses e outros fatores. Na Santafé eu prezo muito o ambiente de trabalho, com livre acesso de todos, até mesmo dos estagiários, ao comando da empresa. A rotina da assessoria é dura, imprevisível, dinâmica. Um ambiente aberto de diálogo e construção conjunta ajuda a lidar com isso.

Quanto a formas precárias de contratação. Dados da pesquisa “Cargos e Salários” da Abracom de 2014, que apresentei no  meu painel, mostram que a quantidade de profissionais contratados com carteira assinada tem aumentado. Isso porque outras modalidades, como sócio cotista ou contratação por “PJ”, expõem a empresa. As agências que buscam receber investimentos ou parcerias internacionais também precisam se adequar e abolir essas práticas que não são bem aceitas em outros países.

SJPDF - Sobre o mercado de trabalho, você afirmou em sua apresentação que jornalistas experientes estão migrando para as agências e a redações estão ficando enxutas. Qual a principal explicação para essa tendência?

Maurício Júnior - A imprensa vive uma crise sem precedentes. Os jornais estão, a cada novo dia, anunciando programas de demissões. A realidade é cruel e simples: a conta não fecha. O que é arrecadado com publicidade não paga a conta no final do mês. E uma imprensa que não é auto-sustentável não é boa para a democracia. Há uma série de fatores culturais, econômicos, comportamentais e tecnológicos para isso, como por exemplo o crescimento da internet e das redes sociais, que reúne todos esses aspectos.

Por outro lado, tivemos, de 2008 a 2013​,​ um período de pujança e crescimento nas assessorias. O mercado se tornou gigante e, embora não tenha tido o mesmo crescimento expressivo em 2014, faturou R$ 2 bilhões. As equipes das assessorias aumentaram. Os serviços foram diversificados e houve um caminho natural dos jornalistas de peso das redações para as assessorias. Os salários são melhores, as condições de trabalho mais favoráveis. Salários mais altos e melhores condições de trabalho atraíram jornalistas seniores que qualificaram o trabalho das assessorias.

SJPDF - Quais as principais características um profissional da área de jornalismo precisa ter hoje para atender as demandas dentro de uma agência/assessoria de comunicação?

Maurício Júnior - Precisa entender esse mercado. Saber que houve uma evolução e que relação com a imprensa é apenas uma das várias atividades de uma agencia. Para mim a formação em jornalismo e experiência em veículos é fundamental. Mas não há “amizade” que supere uma pauta bem construída. Precisa entender a diferença fundamental entre ser um repórter e ser um assessor. Jornalistas que não entendem isso causam insegurança em seus clientes. Uma última dica é: entenda de gestão de projetos e financeira. Isso é fundamental para apresentar propostas exequíveis para seus clientes.

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