A diretoria do Sindicato dos Jornalistas do DF esteve em São Paulo para participar de reuniões com as áreas de recursos humanos do Estadão, da Veja e da Folha de S. Paulo com o objetivo de discutir problemas nas sucursais do DF. O SJPDF buscou estabelecer uma interlocução direta com as empresas atuando junto aos responsáveis pelas definições de pessoal, superando algumas limitações encontradas na resolução dos problemas junto às sucursais em Brasília.
Nos encontro foram tratadas a situação de excesso de jornada e o consequente pagamento das horas-extras realizadas, seja em dinheiro, seja na forma de compensação, e a garantia aos profissionais do DF das mesmas condições oferecidas aos jornalistas de São Paulo, no caso de demissão. A diretoria da entidade tem constatado nas vistas aos comitês o excesso de jornada, especialmente na Câmara, onde as sessões têm se estendido.
Estadão
Questionado sobre o excesso de horas-trabalhadas, o gestor que participou da reunião disse que não sabia como se dava o controle de jornada no DF, mas disse que em São Paulo vigorava um sistema informal de compensação. O coordenador-geral do SJPDF, Jonas Valente, cobrou o respeito à jornada e o cumprimento dos mecanismos de pagamento e compensação previstos na Convenção Coletiva do DF, seguida pela sucursal. Quanto ao acordo feito para os jornalistas demitidos, o veículo não estendeu os benefícios garantidos aos profissionais de São Paulo para os do DF. Ao ser cobrado pelo SJPDF, o setor aventou a possibilidade de garantir um salário de indenização, mas não a extensão do plano de saúde.
VEJA
Os representantes da VEJA admitiram que não existem regras claras sobre jornada e horas-extras. A revista segue a Convenção de São Paulo, que não prevê compensação de horário nem banco de horas. A empresa afirmou que está estudando um sistema para isso. Jonas Valente cobrou o respeito à jornada e ao pagamento de horas-extras e que a entidade seja incluída nesta negociação, consideradas as especificidades do trabalho dos setoristas de Congresso e de Palácio do Planalto. Também foi proposto que, se for de interesse dos jornalistas da sucursal, o veículo siga as regras da convenção do DF. Quanto às demissões, os representantes da empresa afirmaram que o acordo realizado com os demitidos de São Paulo (que previa alguns meses de plano de saúde mais indenização) foi estendido para os profissionais de Brasília.
Folha de S. Paulo
Na Folha, o responsável pela área jurídica que participou da reunião informou que também funciona um sistema informal de compensação. Os jornalistas que trabalham mais de quatro horas ganham uma folga e no “pescoção” ganham outra. A convenção seguida é a de São Paulo. Mas devido à implantação de um novo sistema de registro das informações trabalhistas, o E-social, a empresa está estudando como fará o controle de jornada. O coordenador-geral do SJPDF mais uma vez ressaltou a necessidade do respeito à jornada e do pagamento das horas-extras com um mecanismo claro e também reivindicou que a definição das novas regras seja feita de forma dialogada também com o Sindicato do DF.
Encaminhamentos
Depois das reuniões, o SJPDF irá oficiar os três veículos para formalizar as cobranças realizadas. No caso do Estadão, será feita pressão em relação à indenização para os jornalistas que foram demitidos quanto para o cumprimento da CCT. Nos casos da Folha e da Veja, o Sindicato irá acompanhar a definição das regras para assegurar que elas permitam o pagamento e a compensação das horas-extras, considerando a especificidade de quem cobre Congresso e Presidência. O SJPDF irá chamar uma reunião com os jornalistas de sucursais para discutir a situação e ouvir proposta de como proceder.