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Publicado em Quinta, 07 Maio 2015 15:00
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A simples troca de uma foto no perfil do Facebook da jornalista brasiliense Cristiane Damacena não teve um desfecho positivo na rede social. Desde quando postou a imagem no dia 24/4, a profissional recebeu diversos comentários racistas. No dia 30/5, ela registrou ocorrência na 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia). Os usuários que postaram os comentários poderão responder por injuria racial.

O caso da jornalista ganhou visibilidade na internet com um total de mais de 23 mil visualizações e mais de 15 mil comentários (veja o perfil aqui). Os comentários racistas começaram a ser publicados em 29/4. Nos textos, além dos usuários chamarem a jornalista de “macaca” e “escrava”, eles tecem comentários como: “Quanto está essa escrava?”, “Teve que acender todas as luzes da cidade para ela poder aparecer na foto”, “Fugiu da senzala?” e “Se reparar a cor do vestido é amarela porque lembra a banana para ela. Cor preferida do macaco”.

O Sindicato dos Jornalistas do DF repudia a ação dos internautas que fizeram o ataque racista contra Cristiane Damacena e coloca à disposição o seu setor jurídico para atender as demandas da jornalista que forem pertinentes à atuação da entidade. “Esse tipo de ataque não é aceitável para nenhuma categoria. O fato dela ser jornalista faz com que nós sejamos solidários com a colega de profissão. A forma como as redes funcionam por um lado é bom, que é democrática. Mas, por outro lado, tem partes ruins, porque permitem todos os tipos de comentários das pessoas, às vezes de forma anônima - ao usar perfil fake - inclusive de cunho racista. Nós do Sindicato defendemos que sejam punidas rigorosamente esse tipo de ação nas redes sociais”, afirma Daniela Luciana, diretora do SJPDF e militante do movimento negro.

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial- (Cojira-DF)  chama a atenção para a necessidade de se investigar os autores dos comentários. “Essas pessoas fazem parte de redes articuladas que pegam aleatoriamente esse tipo de imagem e perfil no facebook para fazer o ataque e propagar ideias racistas. É importante o caso ser investigado pela polícia e também pela imprensa. No caso da mídia, é necessário ressaltar que as reportagens não podem ser pontuais e sim investigativas e mais informativas”, aponta Juliana Cézar Nunes, jornalista da Cojira-DF.

Sobre a cobertura da mídia em relação aos casos de racismo, Juliana também alerta que por um lado os veículos dão visibilidade para esse tipo de caso, mas por outro, na sua programação geral, abordam a mulher negra, por exemplo, de uma forma totalmente pejorativa. “Acredito ser muito importante repensar na forma como a abordagem da mídia tem ocorrido. Temos que tratar a temática como algo mais sistemático e complexo, caso contrário o viés sensacionalista é quem ditará a cobertura da imprensa. Enquanto jornalistas precisamos ter mais cuidado e respeito com esse tipo de assunto”, afirma.

O SJPDF entrou em contato com a profissional para prestar solidariedade e solicitou uma entrevista, mas não obteve resposta até o fechamento dessa matéria. Para alguns veículos de comunicação, Damacena disse que foi aconselhada por advogados a não dar entrevista. 

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