O Sindicato dos Jornalistas do DF convoca a categoria para vestir preto na próxima sexta-feira, 8/5. O objetivo é realizar um dia de mobilização da Campanha Salarial 2015. A iniciativa se soma ao "Ato Nacional contra demissões, precarização das relações de trabalho e práticas antissindicais”, promovido pela Federação Nacional dos Jornalistas- FENAJ (veja mais aqui), e visa chamar atenção para os desafios da categoria hoje, das demissões à ofensiva de retirada de direitos. Serão realizadas visitas às redações e uma campanha pelas redes sociais convidando os colegas a registrar o protesto e a compartilhar nos seus perfis e nas comunidades da categoria. O dia de mobilização será concluído com nova assembleia da Campanha Salarial, marcada para 19h no auditório do Sindicato.
Empresas mantêm ataque aos direitos
Com o ato, a diretoria do SJPDF chama a categoria para ampliar a mobilização na negociação salarial deste ano. Os patrões não avançaram quase nada na contraproposta apresentada na última quinta-feira, 30/4. Apenas retiraram o parcelamento do pagamento do reajuste do auxílio-creche (confira abaixo o quadro comparativo da pauta dos trabalhadores e da proposta dos patrões). Na reunião, as empresas voltaram a reclamar da situação econômica e afirmar que "há muita dificuldade" para avançar, inclusive no índice inflacionário.
"Mesmo após falas e posições de assembleia de que não seria possível avançar sem as propostas de retirada de direitos, as empresas não fizeram alteração nessas cláusulas. E, em um momento em que é preciso avançar, fizeram uma nova contraproposta quase igual à anterior, demonstrando pouca disposição para construir um caminho para a negociação", pondera Wanderlei Pozzembom, coordenador-geral do SJPDF.
Os representantes do Sindicato dos Jornalistas reafirmaram que a categoria tem criticado de forma enfática o ataque a garantias históricas e as propostas que não asseguram sequer o índice da inflação. Eles também apresentaram balanço do Dieese de 2015 segundo o qual 86 das 96 negociações acompanhadas pelo Departamento tiveram ganho real. "É notório que há dificuldade na economia, mas isso não pode justificar a ofensiva contra os direitos nem índices abaixo da inflação. Seguimos com índice alto de negociações com ganhos reais, mesmo que menores", diz Jonas Valente.
Reajuste
Assim como em todos os anos, o principal item de reivindicação dos trabalhadores é o reajuste salarial. A pauta prevê ganho real de 5% mais a reposição inflacionária segundo o INPC. No entanto, a contraproposta apresentada pelos patrões prevê um reajuste de 6%, abaixo da inflação acumulada a ser anunciada em abril visto que em março o valor alcançou 8,13%.
| Pauta dos trabalhadores | Propostas dos patrões | |
| Reajuste Salarial | 5% + INPC | 6% |
| Piso | R$ 2.700 | R$ 2.226 |
| PLR | 45% da remuneração Teto - R$ 3.000 Piso - R$ 2.500 |
35% do salário-base Teto - R$ 2.650 Piso - R$ 1.700 |
| Auxílio-alimentação | Mínimo de R$ 480 por mês. Para quem ganha acima, reajuste segundo o INPC refeição |
Mínimo de R$ 220 no mês da assinatura da CCT e R$ 240 90 dias depois |
| Auxílio-creche | Mínimo de R$ 550 e reposição segundo INPC | Reajuste de 8% (R$ 410,40) |
| Seguro de vida | Mesmo valor do reajuste salarial | Reajuste de 8% (4% na assinatura e 4% em 90 dias) |
| Cláusulas-extras |
1) Horas-extraordinárias- adicional de 100% e compensação na mesma medida; 2) Licença-maternidade de 180 dias; 3) Adicional para quem produz para mais de um veículo, sendo 20% para situações ocasionais e 35% para situações habituais. |
- Sugerem a retirada das cláusulas adicionais da mesa de negociação |