Os representantes dos Sindicatos dos Jornalistas do Distrito Federal (SJPDF) e do Sindicato das Empresas de Televisões, Rádios, Revistas e Jornais do DF (Sinterj-DF) realizaram nessa quinta-feira, 12/3, a primeira reunião para tratar da negociação da Convenção Coletiva de Trabalho dos Jornalistas do DF 2015/2016. O encontro ocorreu depois de um mês que a pauta dos trabalhadores foi entregue.
As empresas recusaram a proposta e disseram que irão apresentar uma contraproposta no início desta semana. Eles reclamaram da situação econômica do setor, argumentaram que os grupos estão com problemas financeiros e de caixa e adiantaram que colocarão como item central da pauta patronal o pagamento parcelado de reajuste e da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
O ganho real foi o principal item discutido nessa primeira mesa de negociação. Os diretores do Sindicato falaram sobre a importância de reverter à categoria os ganhos que as empresas tiveram acima da inflação. Representantes do Dieese ponderaram que os jornalistas do DF foram uma das poucas categorias que não tiveram ganho real, à exceção de 2012, e destacaram a disparidade entre o crescimento do faturamento do setor e os reajustes apenas segundo a inflação.
Outro item discutido foi o aumento do piso salarial para R$ 2.735,46 para cinco horas, valor praticado no Paraná. O piso atual é de R$2.100 para cinco horas. As empresas colocaram que o valor reivindicado está muito acima do que pode ser praticado por elas. A Participação nos Lucros e Resultados também entrou no debate (veja abaixo todas as propostas da categoria).
Segundo Wanderlei Pozzembom, coordenador-geral do SJPDF, a negociação de 2015 será mais tensa do que a dos três últimos anos. “Os patrões demonstraram que não será nada fácil, mas nós entendemos que a categoria precisa se mobilizar. Pela dificuldade que foi colocada pelos empregadores na mesa de hoje, acredito que temos que manter a categoria preparada”, afirma. Para Jonas Valente, também coordenador-geral do Sindicato, a proposta de pagamentos parcelados não pode ser aceitada. "No ano passado, tentaram fazer reajustes diferenciados entre mídia impressa e eletrônica e incluir uma figura de trainee que receberia abaixo do piso. Agora vêm com o discurso de um reajuste parcelado. É altamente preocupante e a categoria deve rejeitar essa ideia", acrescenta.
Pauta da Campanha Salarial 2015
Reajuste - INPC + 5,54% (média de ganho real do salário mínimo nos últimos 10 anos)
Piso - R$ 2.735,46 (piso do Paraná)
PLR - 50% da remuneração
- Teto - R$ 3.000
- Piso - R$ 2.500
Auxílio-alimentação - Mínimo de R$ 480 por mês (R$ 20 por dia) e, para quem ganha mais do que isso, reajuste segundo o INPC refeição fora de casa
Auxílio-creche - Mínimo de R$ 550 e reposição segundo INPC Educação para quem recebe além desse valor
Seguro de vida - Mesmo valor do reajuste salarial
Contribuição assistencial - R$ 1% para todos os jornalistas, com direito de recusa para quem é sindicalizado em dia e quem não é sindicalizado
Três cláusulas adicionais
1) horas extraordinárias - adicional de 100% e compensação na mesma medida;
2) Licença-maternidade de 180 dias;