A assembleia marcada para esta quarta-feira (19/11) terá debates importantes para os jornalistas da empresa. Nesta terça-feira (18/11), foi realizada nova reunião do Grupo de Convergência (instância com representantes dos trabalhadores e da empresa criado para formular propostas ao novo plano) para tentar fechar as descrições e a arquitetura dos cargos. No caso dos cargos relacionados ao jornalismo, permanecem divergências importantes, que serão apresentadas rapidamente abaixo e que podem ser vistas em tabela feita pelo SJPDF.
VEJA A TABELA COM O COMPARATIVO DE PROPOSTAS PARA OS CARGOS DE JORNALISTAS
Duas divergências gerais sobre a estrutura dos cargos também se refletiram para os de jornalismo. A primeira é o fato que os gestores foram contrários à divisão em níveis de complexidade (júnior, pleno e sênior), proposta pelos trabalhadores. Esta divisão havia sido apresentada no relatório final da consultoria contratada para auxiliar o processo (FIA), mas os representantes da empresa disseram que isso ocorreria apenas para o nível médio (em uma divisão por atividade), alegaram que para isso seria necessário uma objetividade nas descrições e haveria o risco de abrir brechas para questionamentos judiciais no reenquadramento. Os representantes dos trabalhadores reafirmaram sua defesa dos níveis de complexidade.
Uma segunda divergência geral se deu em relação à inclusão nos descritivos do texto “de atividades afins e correlatas à atividade exercida”. Para os trabalhadores, isso abre espaço para imposição de tarefas não previstas e fora das atividades do cargo e cria possibilidade de passivos trabalhistas. “Para alguns casos, a empresa diz que quer evitar passivos. Foi a situação do intervalo intrajornada e de algumas mudanças dos descritivos, como no caso de algumas atividades de radialistas. Mas mantém uma das principais brechas para o acúmulo e desvio de função ao manter nos cargos a menção a atividades afins e correlatas. E cria outro risco no caso dos gestores”, afirma Jonas Valente, coordenador-geral do SJPDF.
Veja abaixo as divergências em cada cargo. Em todos eles foram mantidas as polêmicas da divisão em níveis de complexidade e da inclusão do texto “atuar em atividades afins e correlatas à atividade exercida” na descrição.
Jornalismo
Houve uma convergência em relação a boa parte da redação. A divergência se manteve em relação à divisão por complexidade e à inclusão no texto de “afins e correlatas”. Não houve aceite da proposta das entidades sindicais de colocar um limitador para que o empregado não realize mais de uma atividade concomitantemente (ele só poderia fazer reportagem ou apuração ou edição ou pauta etc...).
Jornalismo de imagem – cinematográfico
A redação proposta pelos trabalhadores deixa claro que a atividade deste profissional será para registro de conteúdos jornalísticos. No entanto, o texto dos gestores deixa aberto para qualquer registro de conteúdo audiovisual.
Jornalismo de imagem – fotográfico
A mesma divergência do repórter cinematográfico. O texto dos gestores é genérico e prevê registro de qualquer tipo de imagem. A redação dos trabalhadores visa não abrir espaço para que o profissional faça registro de outros tipos de conteúdo não jornalísticos.
Gestão em jornalismo
Empresa quer manter redação atual, que abre brecha para que gestores façam tanto tarefas típicas de jornalistas quanto as atividades de planejamento e coordenação. Sindicato destacou que manter a menção a “tarefas típicas” vai estimular os desvios que existem hoje de gestores realizando a mesma coisa que jornalistas fazem e abrirá a possibilidade de passivo já que poderá ser exigida a equiparação salarial. Isso vai contra o discurso da empresa de evitar passivos trabalhistas e coloca para os empregados a possibilidade de cobrar isso judicialmente.