O Sindicato dos Jornalistas do DF promoveu nesta terça-feira, 30/9, mais uma plenária com jornalistas da empresa em Brasília. O objetivo foi dar informes sobre diversos debates em curso e colher opiniões dos profissionais para balizar a atuação do SJPDF nas negociações com a direção.
Plano de Carreiras
Os diretores do Sindicato deram informes sobre a proposta da empresa para os cargos relacionados aos jornalistas no novo plano de carreiras (veja mais aqui). Seriam mantidos os cargos de gestor em jornalismo, jornalista, repórter fotográfico e repórter cinematográfico. No caso destes dois últimos, está prevista a equiparação com a exigência de nível superior, o que ampliará as referências salariais. Este é um pleito antigo dos jornalistas de imagem que foi encampado pelo SJPDF. Esses cargos estariam distribuídos em três níveis: júnior, pleno e sênior. No caso do cargo de jornalista, a atividade de edição seria a única que começaria no nível pleno, o restante teria início no nível júnior.
Trabalhadores questionaram qual seria a diferença entre cada um dos níveis. Representantes do Sindicato informaram que isso ainda não foi apresentado, mas que essa descrição precisa ser genérica para não impedir a mobilidade interna entre as diversas atividades (apuração, pauta, reportagem etc..) mas também precisa deixar clara a diferença entre cada um dos níveis.
O diretor do Sindicato Gésio Passos, da Sucom, também reafirmou a defesa que está sendo feita no Grupo de Convergência (criado para avaliar contribuições do Fórum da Intranet e elaborar propostas ao novo plano) pela redução do número de níveis, equilíbrio na promoção entre mérito e antiguidade e melhoria substancial da tabela salarial.
Intervalo intrajornada
Representantes do SJPDF deram informe sobre o processo e destacaram que desde antes da aprovação da resolução que determinou a mudança (99/2014, do início de agosto), sindicatos e Comissão já vinham cobrando que houvesse um planejamento e que fossem garantidas condições para o cumprimento do intervalo, como o espaço de convivência (veja matérias aqui, aqui e aqui). Cumprindo deliberação da assembleia realizada no dia 15/9, a entidade encaminhou ofício ao Ministério Público do Trabalho para avaliar alternativas ao intervalo (veja mais aqui).
Os diretores também apresentaram na plenária alguns resultados preliminares do levantamento sobre o tema feito junto aos trabalhadores. Ele indicou algumas tendências preocupantes em parte das áreas: (1) ausência de diálogo na definição do horário, (2) desresponsabilização de chefes pela definição se o empregado terá de continuar na pauta ou não, (3) ausência de registro quando isso ocorre (o que pode rebater no não pagamento da hora realizada), e (4) inexistência de espaços adequados para passar o período.
Foi colocado por trabalhadores o debate sobre a cobrança de que o intervalo seja feito obrigatoriamente na 4a hora ou poderia ser flexibilizado. Um dos participantes informou que um advogado consultado teria dito que essa é uma obrigação. Já outros participantes afirmaram que a flexibilização (desde que não seja nem na primeira nem na última hora) pode beneficiar a pessoa.
O coordenador-geral do SJPDF, Jonas Valente, enfatizou que é preciso aprofundar o debate para ver a possibilidade de chegar a uma posição comum dos trabalhadores. "Não podemos defender algo que agrade a metade e desagrade a outros empregados. Por isso precisamos debater mais a questão sobre o horário fixou ou variável para ver como encaminhar", disse.
Valente afirmou que no que já há identificação clara de problemas a entidade irá atuar junto com outros sindicatos e com a Comissão de Empregados para cobrar providências urgentes da direção. É o caso da ausência do espaço de convivência, da falta de computadores para dar conta do "choque de turnos", da situação dos jornalistas de imagem que ficam obrigados a cuidar do equipamento durante o intervalo e da diferença de obrigatoriedade de cumprimento do intervalo em alguns setores.
Práticas antissindicais
Outro ponto de pauta foi o ascendo das práticas antissindicais dentro da empresa. Representantes do SJPDF destacaram a nota divulgada pelos sindicatos e comissão (veja aqui) denunciando a prática e esclarecendo as acusações contra das organizações e de lideranças. Foi informado que o dossiê reunindo esses casos já está sendo finalizado e será enviado a autoridades competentes, como aprovado na assembleia realizada no dia 15 de setembro. Os representantes do Sindicato reafirmaram que a intenção é dividir os trabalhadores e falaram que estão à disposição para quaisquer esclarecimentos se ainda restarem dúvidas.
Acordo Coletivo de Trabalho
Outro informe dado na plenária pelo SJPDF foi que serão ajuizadas ações para garantir o cumprimento das cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Jonas Valente lembrou que que a cobrança do pagamento de horas-extras tenha eficácia, os trabalhadores precisam contribuir com casos concretos de não pagamento ou desrespeito na aplicação dos procedimentos previstos no ACT. ![]()