O Sindicato dos Jornalistas do DF e o Sindicato das Empresas de Televisões, Rádios, Revistas e Jornais do DF (Sinterj/DF) realizaram nesta segunda-feira, 7/7, mais uma mesa de negociação para discutir a nova Convenção Coletiva de Trabalho das redações comerciais. Na reunião, o SJPDF apresentou os resultados da votação da última consulta às redações, que ocorreu na semana passada. Dos 337 jornalistas que participaram da consulta, 212 (63%) foram contra a proposta das empresas e pela contraproposta dos trabalhadores e 125 (37%) se manifestaram a favor do fechamento do acordo.
A proposta dos patrões rejeitada pela categoria apresenta basicamente a reposição inflacionária. As empresas ofereceram um reajuste salarial de 5,62% (índice da inflação referente a março). No piso, os patrões apresentaram índice praticamente igual (5,84%), chegando a R$ 2.060. No PLR, os empregadores concederiam teto de R$ 2.500 e piso de R$ 1.500, mas manteriam o benefício em 35% do salário-base (o relativo às 5 horas diárias).
Proposta insuficiente
Durante a reunião, os diretores do Sindicato avaliaram que a rejeição da categoria mostra a necessidade das empresas irem além do que já foi apresentado na mesa, mesmo que a oferta tenha sido colocada como limite. Os representantes do SJPDF argumentaram que em negociações de convenções coletivas de trabalho de outros estados, e em mercados menores, o setor patronal vem oferecendo mais.
"Em Sergipe a CCT fechou com 1,5% de ganho real, e em Goiás, com 1%. Mesmo a mídia impressa, que alega problemas financeiros, no Rio de Janeiro está disposta a dar tíquete-alimentação de R$ 377, enquanto aqui querem fechar em R$ 190", destaca Leonor Costa, coordenadora-geral do SJPDF.
Para resolver o impasse, os diretores do Sindicato disseram que é preciso um novo esforço para atender às reivindicações da categoria. “Precisamos de um avanço maior na proposta para podermos a algo que possa significar um acordo. A categoria apontou como prioridades o ganho real nos salários e no piso salarial, bem como melhorias no PLR. Os patrões devem analisar em que pontos podem melhorar a proposta”, diz Jonas Valente, coordenador-geral do SJPDF.
Dificuldade de avançar
Os representantes do Sinterj/DF irão realizar nova assembleia das empresas para avaliar a contraproposta como o setor irá se posicionar diante do cenário atual, mas já adiantaram que será muito difícil ter um reajuste salarial com ganho real. Eles alegaram dificuldade mas afirmaram que é válido fazer um exercício para ver se é possível chegar a uma proposta que viabilize o fechamento da convenção.
Mobilização nesta semana
Para pressionar as empresas, o Sindicato vai promover um dia de mobilização na próxima quinta-feira (10/7). A participação dos jornalistas será fundamental para que a categoria consiga dar visibilidade ao impasse na negociação salarial.
Confira a proposta da categoria e a contraproposta dos patrões que serão levadas à consulta
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Proposta da Categoria |
Proposta dos Patrões |
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Reajuste salarial |
7,62 (2% de ganho real) |
5,62% (para mídias eletrônica e impressa) |
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Participação nos Lucros e Resultados (PLR) |
50% da remuneração com teto de R$ 2.500 e piso de R$ 1.700 |
35% do salário-base de 5 horas, com teto de R$ 2.500 e piso de R$ 1.500 |
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Auxílio-alimentação |
Aumento de 8,3% com o valor mínimo de R$ 15 por dia |
Valor de 190 por mês, o que corresponde a R$ 7,91 por dia, sem fornecimento nos períodos de férias e afastamentos |
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Piso Salarial |
R$ 2.150 |
R$ 2.060 (aumento de 5,64%) |
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Segurança |
Obrigação de fornecer equipamentos e treinamento de direito de se retirar de cobertura perigosa |
Criação de comissão paritária para propor medidas de segurança |
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Equipamento fotográfico |
Adicional de 30% com especificações de mínimo para o equipamento |
Estabelecimento de modelos de equipamentos com percentuais diferenciados |
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Horas-extras |
Adicional de 100% e compensação de 2 pra 1 hora-extra trabalhada |
Adicional de 70% (duas primeiras), 65% (demais horas) e 100% (dias de descanso) com compensação de 1 pra 1. |