Os trabalhadores da EBC decidiram em assembleia realizada nesta sexta-feira, 6/6, que irão promover um dia nacional de lutas na próxima terça-feira, 10/6. A iniciativa visa pressionar a diretoria da empresa para que a revisão do Plano de Empregos, Carreiras e Salários contemple as reivindicações dos empregados.
Serão realizados atos e atividades nas praças da empresa (Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e São Luís). Em Brasília, será feita uma "caravana" em todas as áreas para discutir o processo com os trabalhadores, entregar materiais e convidar os setores à apresentarem as suas contribuições. Também será realizado um debate com representantes da EBC para esclarecer as dúvidas e ouvir a opinião dos empregados sobre o novo Plano a partir das 13h, na escadaria norte da sede em Brasília.
Outra ação planejada é a montagem de um estande dentro da empresa no qual integrantes dos sindicatos dos jornalistas e dos radialistas do DF e da Comissão de Empregados da EBC estarão disponíveis para conversar com os funcionários sobre o processo de revisão. Também serão confeccionados adesivos e faixas para divulgar a mobilização.
Depois de excluir as entidades de representação dos trabalhadores do Grupo de Modelagem, que definiu os parâmetros do novo plano, e de não prestar contas periodicamente aos empregados como prometido, a direção da empresa finalmente, após pressão de sindicatos e comissão, disponibilizou os documentos elaborados pela consultoria contratada para auxiliar no processo (FIA) e acena com um diálogo. Isso é importante, mas a assembleia deixou claro que é insuficiente. O que queremos é o atendimento das nossas reivindicações no novo plano", diz Jonas Valente, coordenador-geral do SJPDF.
Os trabalhadores também mantiveram o indicativo de paralização, que terá uma nova data definida na próxima assembleia a ser realizada no dai 26/6. "Vamos seguir mobilizados. A ideia é que cada praça mantenha uma agenda de atividades combinando esclarecimento, debate e formulação e que, em paralelo, mantenhamos a pressão em cima da empresa para que ela incorpore as demandas dos trabalhadores", explica Gésio Passos, diretor do Sindicato dos Jornalistas.
Revisão do PECS
Prevista no Acordo Coletivo de Trabalho 2011/2012, a revisão do PECS deveria ter ocorrido até julho de 2012, mas não foi feita. Em agosto de 2012, os sindicatos dos jornalistas e radialistas do DF ajuizaram uma ação de descumprimento da cláusula que previa a revisão do PECS no ACT. A solução para o impasse só ocorreu no fim daquele ano, quando a direção da empresa se comprometeu a realizar a revisão ao longo de 2013, com o auxilio de uma consultoria. A revisão foi iniciada em maio de 2013, por meio da FIA.
Os trabalhadores lutaram por participação em todas as fases do processo. Eles construíram um diagnóstico e apresentaram à direção da empresa (veja aqui). Um documento de propostas também foi elaborado pelos trabalhadores, no qual eles questionaram a falta de participação dos empregados em algumas fases do processo (confira aqui a íntegra do documento).
Principais reivindicações dos Empregados
Número de níveis
No documento, os empregados destacam que a proposta deve reduzir os níveis das carreiras (hoje por volta de 40, na maioria dos casos). Se isso não ocorrer, diz o texto, o empregado terá que trabalhar mais de 100 anos para chegar chegará ao topo da carreira.
Promoção por tempo de serviço e por mérito
As organizações também apontam que o tempo de atuação do empregado na empresa deve ser o elemento central para a evolução na carreira e propõem que o empregado receba uma referência a cada dois anos. A promoção por mérito não deixaria de existir, mas serviria como complemento e poderia fazer com que a pessoa chegasse mais rapidamente ao topo. Hoje, do total de recursos destinados às promoções, apenas 5% são para a evolução por tempo de serviço e 95% para os casos por mérito.
Respeito à legislação
O respeito à legislação e aos requisitos de acesso às profissões também são itens abordados no documento. Os trabalhadores reivindicam que a obrigatoriedade do diploma para a trajetória dos jornalistas, por exemplo, esteja prevista no plano.
Funções e atividades
As entidades reivindicam que a evolução na carreira não seja vinculada obrigatoriamente a mudanças nas atividades realizadas. Um jornalista que quiser ficar em uma determinada atividade, como repórter, deve poder ficar sua carreira nela e conseguir chegar ao topo da carreira. O mesmo vale para um radialista que queira ser, por exemplo, câmera de estúdio. Mas também deve ser assegurado que as pessoas possam evoluir para atividades mais complexas dentro de um mesmo cargo. Outra reivindicação é que as atividades previstas no novo plano não levem a desvio de função.
Funções técnicas
No documento, há a reafirmação da proposta de criação de funções técnicas. Elas seriam remunerações adicionais para atividades de maior complexidade e responsabilidade.
Gratificação
O reconhecimento da titulação do empregado deve fazer parte do plano e lhe render gratificação por qualificação. A diferenciação de remuneração com base nas complexidades e responsabilidades das diferentes funções técnicas assumidas pelos trabalhadores é mais um item citado no documento.
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