Os jornalistas devem se recusar a cobrir manifestações durante a Copa do Mundo caso não sejam fornecidos equipamentos de segurança, de acordo com o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho, Alessandro Santos de Miranda. Depois de agressões a jornalistas nas últimas manifestações, o órgão emitiu uma notificação recomendatória para todas as empresas de comunicação. O documento foi repassado também para procuradorias de outros estados. Para o procurador-chefe Alessandro Santos de Miranda, é fundamental recomendar a utilização de equipamentos de proteção individual treinamentos, cursos, o trabalho em conjunto para que não haja um só jornalista que não possa pedir um auxilio.
O procurador disse que é importante a consciência dos profissionais que as empresas têm que dar condições de trabalho. Para ele, devem ser exigidos o fornecimento desses equipamentos de proteção individual adequados e treinamentos para que eles possam cobrir enfrentar essas situações de perigo “Enfim, todas essas medidas devem ser tomadas pela empresa, se a empresa não fornecer condições de trabalho os profissionais inclusive podem se recusar a colocar sua própria vida em risco.”
Direito à informação - Um dos argumentos trazidos no documento é que há um cerceamento violento do direito à liberdade de expressão no Brasil quando não são dadas as condições aos profissionais. Essa violação é caracterizada “como toda ação ou omissão por parte do estado ou ator não estatal que interfira de maneira direta ou indireta na livre circulação de ideias opiniões ou informações”.
Para Alessandro Miranda, os jornalistas possuem o poder de mudar a política e a realidade um país como já aconteceu em situações de conflito em outros países, o principal objetivo no momento é prevenir situações “Nosso objetivo é orientar nesse primeiro momento de medidas importantes que devem ser tomadas em caráter emergencial fomentando o debate e promovendo a segurança desses trabalhadores, nossa intenção é prevenir acidentes do que remedia-los”.
É importante que as empresas forneçam emblemas que identifiquem os jornalistas como aquele profissional não necessariamente portando símbolo do veículo, mas comunicando que o jornalista que está trabalhando e precisa repassar a informação.
Possível paralisação - O coordenador do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, Vanderlei Pozzembom, reclamou da falta de equipamentos em todas as empresas e também entende que os jornalistas não devem cobrir manifestações sem os equipamentos de proteção. Ele ressaltou que, devido a essa falta de assistência das empresas, a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), por exemplo, corre o risco de não participar da cobertura da Copa. Para ele, o jornalista deve se enxergar mais como integrante de uma categoria trabalhista e não como um “herói”. Durante a Copa, Pozzembom e o procurador Alessandro Miranda garantiram que suas entidades estarão de plantão para eventuais violações trabalhistas.
Por Júlia Campos