Assembleia convocada pelo Sindicato dos Jornalistas do DF realizada nessa quarta-feira, 21/5, discutiu medidas de segurança na cobertura da Copa do Mundo, evento que será aberto dia 12 de junho no Brasil. Estima-se que 20 mil jornalistas vão trabalhar cobrindo a Copa, sendo 20% são brasileiros*. Na última terça-feira (20), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou que 1,5 mil jornalistas se credenciaram para acompanhar as atividades da seleção brasileira.
O SJPDF convocou a assembleia porque está preocupado com a violência contra os jornalistas durante a cobertura do evento e de possíveis manifestações, principalmente com os profissionais que não estarão credenciados oficialmente pela FIFA. Os dirigentes do Sindicato informaram que já oficiaram as empresas cobrando a concessão de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), a obrigação da presença de auxiliares nas equipes de TV e a garantia do direito do profissional se retirar caso identifique que a situação ficou perigosa.
O Sindicato também relatou que se reuniu com o GDF para cobrar que as forças policiais respeitem os jornalistas durante as coberturas. Levantamentos mostraram que desde junho do ano passado, mais de 80% das agressões a profissionais de imprensa vieram de agentes do Estado. Estava agendada uma reunião para esta quinta-feira, 22/5, com o objetivo de apresentar ao Governo as reivindicações da categoria em relação ao tema, mas ela foi remarcada para a próxima semana.
Propostas
Os representantes do Sindicato informaram que a entidade fará plantão, incluindo o seu jurídico, para acompanhar os dias de jogos. Haverá diretores na rua, junto aos jornalistas, e em espaços-chave do GDF, como o centro de operações, para dialogar imediatamente caso haja algum problema. Os jornalistas presentes à assembleia destacaram que é fundamental o fornecimento pelas empresas de comunicação de equipamentos de segurança.
Uma das propostas apresentadas na assembleia foi a criação de um Centro de Apoio à Mídia não Credenciada, a exemplo do que ocorreu nos Jogos Pan-Americanos em 2007, no Rio de Janeiro. A ideia é que o centro funcione dentro da própria sede do sindicato com infraestrutura para atender os jornalistas. Outra sugestão foi a produção de um panfleto traduzido para alguns idiomas e que sirva de suporte para os jornalistas estrangeiros. Também foi proposta a confecção de um colete por parte do Sindicato para jornalistas que quiserem fazer uso e serem identificados durante as coberturas.
Na assembleia, participantes questionaram o que a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) estava fazendo para a realização de uma ação articulada em nível nacional. “A FENAJ tem que dar cobertura aos sindicatos. Tem país que nem sabe o que é sindicato. A Federação deve ser pressionada a fazer alguma coisa”, afirmou o jornalista e professor Aylê-Salassié.
Workshop sobre segurança
Em 29/5 o Sindicato das Empresas de Televisões, Rádios, Jornais e Revistas do DF (Sinterj) realizará o seminário “Segurança jornalística: como proceder em áreas e situações de risco”. A realização de atividades de treinamento foi uma reivindicação apresentada pelo Sindicato dos Jornalistas junto à entidade patronal. O curso será conduzido pelo instrutor Ryan Swindale da International News Safety Institute, entidade britânica mundialmente reconhecida por sua atuação no treinamento de jornalistas que trabalham em ambientes de risco. O SJPDF apoia a iniciativa e cederá seu auditório. Confira mais informações aqui
*Dados divulgados em matéria do G1 (http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/05/cerca-de-20-mil-jornalistas-vao-trabalhar-na-copa-do-mundo.html)
Foto: Jornalistas brasilienses Carlos Vieira, do Correio Braziliense, e André Coelho, de O Globo, foram agredidos durante as manifestações do 7 de Setembro de 2013. Breno Fortes/Iano Andrade/ CB/DAPress