O Sindicato dos Jornalistas do DF foi informado nesta segunda-feira (5/5) que seis jornalistas da redação do Correio Braziliense foram demitidos. No conjunto da empresa, os cortes chegariam a quase 70. Segundo a direção do veículo, a decisão faria parte de uma restruturação da empresa frente às dificuldades financeiras vivenciadas pelos Diários dos Associados em Brasília e atingiram também outras áreas.
A diretoria do SJPDF repudia a atitude da direção do Correio de penalizar os trabalhadores pelos problemas econômicos do jornal. Um agravante é o fato dos desligamentos terem ocorrido em meio à negociação da data-base de 2014. "Os funcionários são a alma de um veículo de mídia ao garantirem a produção da informação que estampa diariamente as páginas do impresso. Por isso eles não podem pagar a conta da crise", afirma o coordenador-geral do SJPDF e funcionário do Correio, Wanderlei Pozzembom.
Ato contra as demissões
O Sindicato dos Jornalistas do DF promoveu um ato hoje pela manhã em frente ao jornal para criticar a medida. Os diretores reafirmaram o repúdio às demissões, cobraram que não haja novos cortes e reivindicaram um diálogo mais claro da empresa com os trabalhadores, bem como a apresentação de um posicionamento oficial do Correio em relação à crise. “Para além do problema grave que é um trabalhador perder seu emprego, para quem fica o clima de tensão com a perspectiva de novos cortes é muito ruim. Por isso a direção do Correio tem que ser transparente com seus funcionários em relação a essa situação”, afirmou Jonas Valente, coordenador-geral do SJPDF.
Segundo Leonor Costa, coordenadora-geral do Sindicato, é importante que a direção do veículo seja transparente. “Nós reafirmamos nosso posicionamento em defesa dos empregos dos jornalistas. Precisamos saber se existirão mais casos de demissões. Nesse momento também é importante que a categoria se mobilize”, destacou Costa.
Uma nova assembleia será chamada para discutir o assunto e para avaliar a situação na redação após as demissões. O Sindicato dos Jornalistas do DF coloca a sua assessoria jurídica à disposição dos demitidos para que eles possam cobrar seus direitos adequadamente.
Negociação do Acordo Coletivo de Trabalho 2014
O argumento de que os veículos impressos passam por uma crise financeira tem sido utilizado pelos patrões na negociação do Acordo Coletivo de Trabalho 2014. A última contraproposta dos empregadores apresenta uma diferenciação no aumento salarial dos segmentos impressos e eletrônico, sendo que o primeiro teria um reajuste de 4,5% e o segundo de 5,5%. Confira mais sobre o assunto aqui
Para Wanderlei Pozzembom, as demissões não podem intimidar os trabalhadores na busca por um bom acordo. "Agora, mais do que nunca, os jornalistas têm que se mobilizar para lutar por uma nova CCT melhor do que a atual. E essa luta não será fácil dado o cenário por que passa a mídia impressa", analisa.