Durante a última semana, o Sindicato dos Jornalistas do DF presenciou mais um desrespeito aos jornalistas que trabalham no Grupo Comunidade. Dessa vez, a empresa além de não apresentar, conforme estipulado pelo Ministério Público do Trabalho do DF (MPT-DF) em audiência realizada 8/4, a lista completa de detalhamento de depósitos dos funcionários desde janeiro de 2013, também barrou a entrada dos representantes da entidade na redação.
Denúncias recentes feitas ao sindicato revelam que existem jornalistas sem receber este ano e com salários pendentes no ano de 2013 e 2012. Para averiguar a situação, o MPTDF estipulou o prazo de 15/4 para que a empresa entregasse a cópia da listagem ao SJPDF. Além de autorizar a entrada dos diretores da entidade na redação do Comunidade para confirmar com os empregados os dados fornecidos na planilha.
No entanto, o Comunidade apresentou ao sindicato uma lista incompleta e alegou que não foi possível preparar a planilha de dados. Com o objetivo de solucionar a questão, a entidade agendou uma nova data, 23/04, para recolher os dados ausentes. Nesse dia, além de não apresentar 26 contatos que faltavam, o Comunidade proibiu a entrada dos diretores do SJPDF na redação da empresa.
Para checar se os dados estavam corretos ou não, funcionários do sindicato entraram em contato por telefone com os nomes indicados pela lista e mais outros registros que possuem cadastro na entidade. As dificuldades impostas pelo Grupo Comunidade atrapalharam o trabalho do sindicato, visto que a instituição só possui cadastro dos profissionais filiados.
Petição
Petição protocolada pela assessoria jurídica do SJPDF esclarece que além de não conter todos os nomes, a lista não apresentava comprovantes bancários de vários jornalistas. “Mesmo com as dificuldades, o sindicato conseguiu comprovar que 20 jornalistas estão com salários atrasados”, destaca o documento.
Segundo Wanderlei Pozzembom, coordenador-geral do SJPDF, o descaso do Comunidade com o trabalhador passou dos limites há muito tempo. “Vamos propor uma ação coletiva com pedido de regularização dos salários, multas previstas na CCT, regularização dos depósitos fundiários e previdenciários e indenização por dano moral e coletivo. Continuaremos na luta pela garantia dos direitos dos trabalhadores”, afirmou.
Na próxima sexta-feira, 2/5, ocorrerá uma nova audiência no MPTDF para tratar do assunto.
Ação de Bloqueio
Saiba mais sobre o caso
Em 2012, o problema de atrasos salariais fez com que a diretoria do Sindicato dos Jornalistas entrasse com ações contra o Comunidade, quando conseguiu bloquear 600 mil reais na Justiça do Trabalho para o pagamento de salários dos funcionários. O sindicato também provocou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público do Trabalho que estipulava o cumprimento por parte do Comunidade cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho, em especial a que diz respeito ao pagamento do salário em dia.
Mesmo assim, depois disso o Grupo desrespeitou as regras e atrasou os salários três vezes (julho e agosto de 2012 e março de 2013). Por causa desses atrasos, a empresa foi multada em R$ 90.890,35, a ser revertido para todos os funcionários. Além disso, o MPT estipulou ao Comunidade o pagamento de mais R$ 50 mil em campanhas institucionais do órgão.
Em 2013, a empresa voltou a atrasar salários e pagar férias atrasadas. A situação de irregularidades dentro do Grupo Comunidade perdurou durante o ano passado e já assola a redação em 2014. O SJPDF entrou medida cautelar para solicitar novamente o bloqueio de 200 mil reais na Justiça do Trabalho para o pagamento de salários dos funcionários.
Legenda: Gésio Passos, diretor do SJPDF, em ato em frente ao Jornal Comunidade.