Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou a decisão da Justiça baiana em condenar o jornalista Aguirre Talento a seis meses e seis dias de detenção em regime aberto por crime de difamação. A sentença foi favorável ao empresário do setor imobiliário Humberto Riella Sobrinho, que alega haver informações falsas em reportagens publicadas no diário A Tarde, em dezembro de 2010.
De acordo com a entidade, a medida judicial “é um atentado à liberdade de imprensa”. O caso foi julgado pelo juiz Antônio Silva Pereira, da 15ª Vara Criminal, de Salvador, que considerou que o repórter agiu "maldosamente" e "com a nítida intenção de macular a honra objetiva [do empresário]". No entanto, não foi apontado pelo jurista elementos que comprovassem a intencionalidade mencionada.
“A Organização das Nações Unidas (ONU), em seu Plano de Ação para Segurança de Jornalistas, recomenda aos países-membros que ações de difamação sejam tratadas no âmbito civil”, descreve a nota. Talento e outros profissionais de imprensa que elaboraram matérias denunciando crimes ambientais na Bahia foram acionados por Sobrinho, que cobra até R$ 1 milhão de indenização pelos eventuais danos causados a sua imagem.
A Abraji ressalta que “chama a atenção o jornal nunca ter sido processado”, pois “visam sempre o elo mais fraco: o jornalista”. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) está acompanhando o caso e já impetrou ações por denunciação caluniosa contra os empresários, e se junta ao recurso expedido pelos advogados de Aguirre Talento no Tribunal de Justiça da Bahia.