As discussões do Congresso Distrital dos Jornalistas foram retomadas durante a manhã deste sábado, 15/3, encerrando as atividades iniciadas nessa sexta-feira. O repórter fotográfico Alan Marques, da Folha de S. Paulo, e os jornalistas Najla Passos, da Carta Maior, e Paulo Moreira Leite, diretor da revista IstoÉ em Brasília iniciaram as discussões sobre as coberturas jornalísticas da Copa, protestos e eleições.
A democratização da mídia, a violência contra jornalistas durante as manifestações e no interior do país, a importância do jornalista de imagem e as eleições foram alguns dos temas tratados pelos jornalistas que participaram da 1ª mesa de debates deste sábado.
Najla Passos disse que a violência durante as manifestações não é só inerente aos jornalistas, mas a todos os cidadãos. Para ela, é necessário modificar o formato das forças policiais. “Temos uma polícia herdada da ditadura. Ela não é uma polícia formada para defender jornalista ou o jovem da periferia, por exemplo. Outra questão é que não vemos os policiais que praticam agressões sendo punidos. É necessário rever a atuação da polícia”, afirmou Passos.
Ainda sobre a questão da violência, Alan Marques explicou que os casos envolvendo jornalistas não ocorrem somente durante as manifestações. “No Brasil temos um cenário de violência no interior do país, quando profissionais sofrem repressão ou são mortos porque publicaram alguma denúncia”.
Marques também chamou a atenção para a importância do equipamento de proteção dos jornalistas durante a cobertura de protestos e disse que os profissionais estão sendo bombardeados por todos os lados. “O jornalista apanha da Polícia Militar e dos manifestantes. Então, o jornalista apanha de todo mundo. A responsabilidade da nossa segurança começa por nós mesmos, mas não podemos deixar de cobrar do Estado, pois ele é responsável pela segurança de todos: jornalistas, cidadãos e policiais”, completou.
Judicialização
Paulo Moreira Leite tratou de temas como conjuntura política do Brasil, ética, papel dos profissionais de jornalismo e a cobertura do julgamento do mensalão. Segundo ele, “a soberania e democracia do povo estão ameaçadas pela judicialização. O povo toma decisões que são revogadas nos tribunais. O jornalista está virando uma espécie de correia da transmissão desse processo de judicialização”.
Paralelo a essa questão está o papel dos jornalistas de mostrar e apurar os fatos de forma ética. “Precisamos nos perguntar para que servem as nossas denúncias e quem ganha com elas”, ressaltou. Segundo o diretor da IstoÉ, os jornalistas não podem esquecer da sua principal função que é apurar bem os fatos. Ele destacou que ultimamente os profissionais têm apurado tudo e condenado antes.
Qualidade de vida e precarização das condições de trabalho
Já o segundo painel deste sábado tratou da qualidade de vida e precarização das condições de trabalho e contou com a participação do professor da Universidade de Brasília Sadi Dal Rosso e da jornalista e doutoranda em Comunicação, Kelly Quirino, representante a Comissão de Jornalistas para Igualdade Racial (COJIRA).
Kelly apresentou dados sobre a realidade da sub-representação dos jornalistas negros/as e pardos/as no mercado de trabalho. “Hoje temos conhecimento de que 23% dos jornalistas são negros/as e pardos/as dos quais, 5% são negros/as e 18% se autodeclaram pardos/as. No entanto, o que nos incomoda é não saber quais os cargos/posição no mercado de trabalho esses profissionais ocupam”, apontou.
Leonor Costa, coordenadora-geral do SJPDF que mediou a mesa, afirmou que o racismo precisa ser analisado também nos locais de trabalho. “O jornalista precisa refletir sobre racismo, machismo e homofobia nos locais de trabalho e nas pautas que estão colocadas pelos veículos”, ressaltou.
O professor Sadi Dal Rosso, da Unb, abordou a questão das dificuldades dos trabalhadores em âmbito global. Para ele, a grande divisora dos problemas das condições do trabalho no mundo foi a crise socioeconômica de 2007. “Desemprego, redução de salários, aumento de jornada de trabalho e suicídio são alguns problemas que se acentuaram depois da crise”, explicou.
Foto: Carlos Moura