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Publicado em Sexta, 14 Março 2014 22:14
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Mais de cem pessoas, entre elas jornalistas, professores e estudantes de jornalismo lotaram o auditório do Sindicato dos Jornalistas do DF na noite de hoje, 14/3, onde teve início o Congresso Distrital dos Jornalistas. A mesa de abertura, mediada pelo coordenador-geral do SJPDF, Jonas Valente, discutiu os desafios da profissão na atualidade e contou com o repórter fotográfico Orlando Brito, a professora da Universidade de são Paulo, Roseli Fígaro, e os jornalistas Marcone Gonçalves, da assessoria do Ministério da Justiça e Cynara Menezes, da Carta Capital.

O repórter fotográfico Orlando Brito, abriu os discursos da mesa principal. Em sua fala ele frisou a importância de ser jornalista e a volatilidade inerente a profissão. “"Eu sou um privilegiado . A nossa profissão é muito bonita, mas é difícil também. Um dia você está no tapete vermelho da Presidência, no outro você está tomando gás de pimenta. Um dia você fotografa o Neymar no Barcelona, no outro você vai ao velório de um colega que estava exercendo a profissão. Eu como fotógrafo percebo muito pelo que vejo, esse é o papel do fotógrafo”, afirmou Brito.

Já Roseli Fígaro, coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), apresentou alguns dados da pesquisa “O perfil do jornalista e os discursos sobre o jornalismo: um estudo das mudanças no mundo do trabalho do jornalista profissional em São Paulo”.

Ela chamou a atenção para o perfil das jornalistas mulheres até 35 anos. “A profissão as obriga ficar solteiras e não ter filhos. Essa é uma situação que o trabalho delas exige”, disse. Outra questão tratada pela acadêmica foi em relação aos processos atuais de produção. “A evolução tecnológica não trouxe tranquilidade para os jornalistas. A regra é a notícia chegar antes nas bancas e nos portais. O valor da notícia agora é a concorrência e não a qualidade da notícia. A qualidade da notícia é medida conforme o número de cliques que ela tem. Os valores-notícia também mudaram", completou Fígaro.

O jornalista Marcone Gonçalves, da Ascom do Ministério da Justiça, falou que existe uma expansão no mercado para os jornalistas que atuam em assessoria de imprensa. “No Conselho Nacional da Justiça, por exemplo, temos 30 pessoas atuando". Marcone também disse que é necessário prestar atenção para o tipo de contratação que o governo faz. "Muitas vezes o governo faz contratos precários e não têm incentivado a contratação de jornalistas via concurso público", criticou.

Por fim Cynara Menezes, jornalista da Carta Capital e autora do blog Socialista Morena (socialistamorena.cartacapital.com.br/), acredita que a crise dentro do jornalismo não é uma crise dos jornalistas e sim dos patrões. “Nossa profissão está em alta. Nós temos um mundo imenso da internet em expansão", finalizou.

Homenagem a Santiago Andrade

Antes das discussões da mesa de abertura do Congresso, representantes do movimento sindical saudaram o público presente. Wanderlei Pozzembom, vice-presidente do Centro-Oeste da FENAJ e coordenador-geral do SJPDF; Hélio Doyle, presidente da Comissão da Verdade do SJPDF; Leonor Costa, coordenadora do SJPDF; Mara Régia, integrante da Comissão de Ética do SJPDF e Ismael César, da Secretaria de Políticas Sociais da CUT-DF.

Os participantes da primeira atividade do Congresso homenagearam Santiago Andrade, repórter cinematográfico que faleceu no mês passado durante uma cobertura de protesto no Rio de Janeiro. Os sindicalistas também chamaram a atenção para temas como garantia de direitos, violência contra jornalistas, participação e democratização da mídia.

Continuação
As discussões do Congresso Distrital dos Jornalistas terão continuidade na manhã deste sábado, 15/4.
O repórter fotográfico Alan Marques, da Folha de S. Paulo, e os jornalistas Najla Passos, da Carta Maior, e Paulo Moreira Leite, da revista IstoÉ, farão parte do primeiro painel, a partir das 9h, e discutirão os desafios para a cobertura jornalística da Copa, dos protestos e das eleições deste ano.

Intitulado “Qualidade de vida e precarização das condições de trabalho”, o segundo painel terá como convidados o professor da Universidade de Brasília, Sadi Dal Rosso, e a jornalista e doutoranda em Comunicação, Kelly Quirino, que falará representando a Comissão de Jornalistas para Igualdade Racial (COJIRA).

Pela tarde, às 13h30 serão realizados os grupos de trabalhos temáticos e , às 15h a plenária distrital para votação de teses e eleição de delegados do Distrito Federal para o 36º Congresso Nacional dos Jornalistas, organizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

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