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Publicado em Segunda, 10 Março 2014 15:18
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A jornalista e blogueira Cynara Menezes, da Carta Capital, fará parte da mesa de abertura do Congresso Distrital dos Jornalistas, que será realizado nos dias 14 e 15 de março no Auditório do SJPDF. (Saiba mais sobre o Congresso aqui)

Jornalista experiente, Cynara Menezes passou por redações como: Jornal da Bahia, Folha de S.Paulo, Estadão, Istoé, Veja, Vip e atualmente está na CartaCapital, em Brasília (DF).  

Em entrevista ao site do SJPDF, Menezes aborda os principais problemas enfrentados pelos jornalistas nas redações. Além de Cynara, a mesa de abertura do Congresso intitulada “Os desafios de ser jornalistas na atualidade”contará com a professora Roseli Fígaro, da Universidade de São Paulo; o jornalista Marcone Gonçalves, da assessoria do Ministério da Justiça e o repórter fotográfico Orlando Brito, da BritoNews. Confira abaixo a entrevista da Cynara

1. Em sua opinião qual a principal causa dos problemas do mercado de trabalho dos jornalistas no DF e no Brasil?

Acho que a principal causa é a crise nos veículos impressos. Como resultado dessa crise, na hora de cortar custos, quem mais sofre é o jornalista. Não se veem cortes nos altos salários dos executivos, por exemplo, mas demissões generalizadas. O que mais me choca é que os veículos não parecem se importar em demitir profissionais antigos na casa para contratar quatro estagiários com o seu salário.

 

2. Quais são as precariedades mais comuns enfrentadas pelos jornalistas nas redações? E por quê?

Em minha opinião, com a crise, os veículos deviam investir cada vez mais em reportagem, que é o que diferencia os jornais uns dos outros e o que atrai leitores. Em vez disso, cortam gastos justamente nesta área. Os repórteres passam a viajar menos e a fazer reportagens de dentro da redação. Isso é um pecado em nossa profissão e é cada vez mais frequente. Por isso os jornais vão às bancas praticamente idênticos, com o mesmo conteúdo. Quem vai comprar um veículo se as mesmas notícias saem em todos? E, pior, quem quer pagar por algo que pode ver grátis na internet?

3. A não exigência do diploma, aprovada pelo STF, contribuiu de alguma forma para o cenário precário da profissão?

Não. Eu não sou favorável à exigência de diploma de jornalista para exercício da profissão. Acho que formações afins como Ciência Política, História, Geografia, podem atrair olhares distintos para o jornalismo e vejo isso de forma positiva. Acho que o problema passa mais por comprar o discurso dos proprietários sem reclamar. Infelizmente a maioria dos nossos colegas parece disposta a aceitar qualquer condição de trabalho para atuar num veículo importante. Isso independe do diploma que a pessoa tenha.

4. E em relação ao conteúdo jornalístico, as práticas de mercado têm influenciado na qualidade do jornalismo? E também na liberdade de expressão do profissional?

Aconteceu uma coisa nos últimos anos que me surpreendeu negativamente: o advento da internet facilitou o exercício da profissão, mas, ao mesmo tempo, empobreceu a imprensa em termos de conteúdo. Muitos jornalistas ficaram preguiçosos e, em vez de pesquisar nos livros ou diretamente nas fontes, passaram a fazer consultas online. Não é à toa que surgiram tantas denúncias de plágio nos últimos anos. A internet deve ser utilizada para tirar dúvidas e não como fonte primária de consulta, em minha opinião. Quanto à liberdade de expressão, é lamentável, mas no Brasil ela está diretamente ligada ao poder econômico. Existe liberdade de expressão, sim, mas se você tem dinheiro, ela é muito maior – ao ponto da agressão, como fazem alguns colunistas de grandes veículos ligados à direita no Brasil.

Foto: Alf Ribeiro

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