O último protesto contra a Copa do Mundo no Brasil terminou com 14 jornalistas agredidos, conforme informa a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) em matéria publicada na tarde dessa segunda-feira, 24. O ato foi realizado na região central de São Paulo e contou com mais de 100 integrantes da chamada “tropa do braço” da Polícia Militar.
De acordo com o levantamento da entidade, os acontecimentos do último fim de semana fizeram com que chegassem a 57 os casos de agressões e detenções de jornalistas. O número registra apenas a violência cometida por policiais e passou a ser contabilizada desde as manifestações ocorridas no primeiro semestre do ano passado. A Abraji ainda salienta que a maioria das agressões (56%) ocorreu mesmo com o profissional da imprensa se identificando como tal.
A instituição enfatiza que a maior cidade do Brasil é a que mais oferece risco a quem cobre protestos. “São Paulo mostra-se a cidade mais violenta para repórteres em cobertura de manifestações: dos 133 casos de agressões registrados de 13.jun.2013 a 22.fev.2014, 63 ocorreram na capital paulista. Um total de 59 profissionais sofreu algum tipo de violação”. A Polícia Militar não se pronunciou a respeito dos dados divulgados pela Abraji.
Agressões de jornalistas, além de prisões sem explicações por parte das autoridades, representa atentado contra a democracia, avalia a entidade. “A Abraji lamenta, mais uma vez, que jornalistas sejam detidos e agredidos enquanto realizam seu trabalho durante a cobertura de manifestações de protesto. Tentar impedir o trabalho da imprensa é atentar contra o direito da sociedade à informação e, em última análise, à democracia”.
Veja a lista da Abraji dos jornalistas agredidos por policiais durante o último protesto realizado em São Paulo:
Bruno Santos (Terra) = atingido por golpes de cassetete; sofreu torção no tornozelo
Sérgio Roxo (O Globo) e Victor Moriyama (freelancer) = agredidos e detidos
Bárbara Ferreira Santos (Estadão), Fábio Leite (Estadão), Felipe Larozza (Vice.com), Paulo Toledo Piza (G1) e Reynaldo Turollo (Folha) = detidos, ficando sob domínio da polícia no período que variou de alguns minutos a aproximadamente três horas
Alexandre Capozzoli (Grupo de Apoio Popular), Alice Martins (Vice.com), Amanda Previdelli (Brasil Post), Evelson de Freitas (Estadão), Mauro Donato (Diário do Centro do Mundo) e Tarek Mahammed (Rede de Fotógrafos Ativistas) = agredidos com cassetetes, golpes de escudo ou chutes.