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Publicado em Terça, 25 Fevereiro 2014 17:38
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A professora Roseli Figaro, coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), fará parte da mesa de abertura do Congresso Distrital dos Jornalistas, que será realizado nos dias 14 e 15 de março no Auditório do SJPDF. (Saiba mais sobre o Congresso aqui)

Em entrevista ao site do SJPDF, Figaro apresenta alguns dos resultados da pesquisa “O perfil do jornalista e os discursos sobre o jornalismo: um estudo das mudanças no mundo do trabalho do jornalista profissional em São Paulo” (dados que também compõem o e-book "As mudanças no mundo do trabalho do jornalista", lançado no segundo semestre de 2013.

Intitulada “O perfil do jornalista e os discursos sobre o jornalismo: um estudo das mudanças no mundo do trabalho do jornalista profissional em São Paulo”, a pesquisa é resultado da análise das respostas de 538 jornalistas. Os dados também estão no Figaro possui mestrado e doutorado em ciência da comunicação e pós-doutorado também em comunicação e trabalho. Professora com experiência na área de Comunicação, com ênfase em Linguagem Verbal e Teorias da Comunicação, atuando principalmente nos seguintes temas: comunicação e mundo do trabalho, gestão da comunicação e comunicação/educação.

1.Quais foram as principais mudanças nas rotinas dos jornalistas apontadas na pesquisa que "As Mudanças no Mundo do Trabalho do Jornalista"?

R: Exige-se que o profissional tenha competências para o trabalho multitarefa e em multiplataformas; o tempo tornou-se ainda mais acelerado; a informação é uma commodity mais barata; os vínculos contratuais de trabalho são precários e há insegurança quanto ao planejamento da vida pessoal para o futuro. 
 
2.As mudanças nas rotinas dos jornalistas acarretaram em prejuízos para os profissionais? Quais?

R: Os jornalistas trabalham com os discursos da sociedade. Portanto, devem compreender as implicações disso: discurso é produção de sentido; e produção de sentido é tomar posição, é editar o mundo e disponibilizar essa edição para quem estiver interessado nela. É muita responsabilidade. Desse modo, ser um bom jornalista hoje e antes têm parâmetros muitos semelhantes. Mas, por outro lado, hoje é preciso maior destreza com tecnologias que não existiam. Isso quer dizer que os jornalistas tinham menor destreza anteriormente? Não. Significa que hoje ser multitarefa e multiplataforma são exigências que colocam em ação habilidades humanas diferentes; e também trazem implicações profissionais diferentes. O problema é como essas novas competências são superexploradas pelo sistema do negócio da comunicação. A lógica do mercado não é a lógica do direito humano à informação, nem mesmo do direito ao trabalho decente para os profissionais da área.


3. Ao que se deve a informalidade e precariedade itens preponderantes dentro da profissão do jornalismo hoje. Como a pesquisa revelou isso?
R: As amostras de jornalistas da pesquisa foram buscadas em diferentes fontes: redes sociais, sócios do sindicato dos jornalistas do estado de São Paulo, e empregados de uma empresa editorial. Essas diferentes amostras revelaram vínculos contratuais diferentes. Muitos são freelancers, freelancers fixos, pessoa jurídica. São formas precárias e instáveis de contratação; há incertezas sobre a remuneração. Essas condições de trabalho estão mais frequentes devido às mudanças nos negócios de mídia e à intensificação do uso de tecnologia. A informação tornou-se abundante, uma commodity de baixo valor agregado para o capitalista, visto que qualquer cidadão pode fornecê-la. O  diferencial do jornalista é ter condições de apurar, ampliar as fontes e produzir um material de maior qualidade.
 
 
4. A pesquisa também revelou a falta de interesse dos jornalistas pela questão política, inclusive com baixo índice de sindicalização da categoria. Para senhora, a que se deve isso?
 
R: Sim, de uma parcela razoável entre os pesquisados. Há depoimentos contundentes que revelam não somente uma visão de mundo conservadora, direito de opção de cada um, mas, sobretudo, a falta de compreensão do que é a profissão de jornalista, isso é preocupante! Há falta de compreensão de que o jornalista é o profissional que trabalha com os discursos das diferentes instituições e agentes sociais para devolvê-los de maneira compreensível ao conjunto dos cidadãos. Há a falta de compreensão de que a informação é um direito humano, consagrado pela nossa Constituição e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Hoje, grande parte dos jornalistas encara a informação como uma mercadoria como outra qualquer e, em minha opinião, aí está o problema. Decorrência dessa incompreensão é o não reconhecimento das instituições sindicais como fóruns de organização.
 

5. Existe mais alguma questão importante que a senhora que colocar sobre os desafios que os jornalistas têm enfrentado no mercado de trabalho?
 
R: Na etapa quantitativa da pesquisa, o questionário contemplava a pergunta sobre se o profissional consegue planejar a vida pessoal em relação à profissional, e cerca de 60% dos respondentes afirmaram que só conseguem planejar em curto prazo ou não têm conseguido planejar. Imagino que isso causa grande parte do estresse na vida da pessoa. Quanto ao diploma,  as discussões foram boas, a maioria dos participantes da fase qualitativa da pesquisa é favorável ao diploma. Não havia essa pergunta no questionário da fase quantitativa.
Os Resultados da pesquisa "O perfil do jornalista e os discursos sobre o jornalismo. Um estudo das mudanças no mundo do trabalho do jornalista profissional em São Paulo" estão no site: www.eca.usp.br/comunicacaoetrabalho

 

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