No último sábado, 22/2, mais jornalistas voltaram a sofrer agressões durante cobertura de protestos. Seis profissionais, quatro jornalistas e dois repórteres fotográficos, que cobriam o ato “Não vai ter Copa”, no centro de São Paulo, foram detidos pela Polícia Militar. Os jornalistas estavam com identificação, mas mesmo assim foram enfileirados no chão da calçada e presos com diversos manifestantes.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a jornalista Bárbara Ferreira Santos foi presa e levou um golpe de cassetete de um Policial Militar na cabeça. O repórter fotográfico Evelson de Freitas, também do Estadão, foi atingido por um cassetete na mão. Sérgio Roxo, de O Globo, foi dominado com uma gravata e jogado ao chão. Paulo Toledo Piza, do G1, foi detido. Reynaldo Turollo, da Folha de S.Paulo, foi detido sob suspeita de adoção de tática de manifestação black bloc e o fotógrafo do Terra, Bruno Santos, foi ferido na perna e encaminhado a um hospital.
Reynaldo Turollo relatou, em depoimento publicado pela Folha de S. Paulo, que os policiais se exaltaram quando ele passou a filmar a ação. Vídeo divulgado pelo veículo mostra o cerco policial a manifestantes e jornalistas. Confira aqui
As agressões ocorreram duas semanas depois que o cinegrafista Santiago Andrade foi morto durante protesto no Rio de Janeiro. O fato, amplamente divulgado pela imprensa, se tornou emblemático por comover a categoria e mobilizar entidades que defendem os direitos dos jornalistas a pressionarem por mais segurança tanto por parte do governo quanto pelas empresas de comunicação.
Segundo Jonas Valente, coordenador-geral do Sindicato dos Jornalistas do DF (SJPDF), as garantias de segurança dos jornalistas precisam ser prioridade. “A insegurança têm tomado conta da cobertura dos protestos. Os jornalistas não podem trabalhar com medo e nem podem ser cerceados pela polícia porque estão realizando seu trabalho. As matérias produzidas pela imprensa cumprem com o dever de informar a sociedade. Muito nos preocupa essa atuação da polícia, visto que neste ano teremos muitos protestos por causa da Copa do Mundo”, afirmou.
Atuação das entidades que defendem direitos
Na semana passada, representantes de sindicatos de todo o Brasil, entre eles o SJPDF, se reuniram com o ministro da justiça, José Eduardo Cardozo para discutir medidas de segurança para os jornalistas. Veja aqui os resultados do encontro
As entidades também se reuniram com o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN), para pedir urgência na aprovação do Projeto de Lei 6781/2010, que cria condições especiais de trabalho e aposentadoria diferenciada para repórteres fotográficos e cinematográficos. Alves se comprometeu a colocar a matéria em pauta amanhã 25/2. Confira mais informações sobre o assunto aqui
Desculpas
A direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) afirmou que pedido de desculpa da PM é insuficiente. A entidade solicitou uma “audiência ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) para exigir providências sobre a ação da Polícia Militar do estado que, em praticamente todas as manifestações públicas ocorridas desde junho do ano passado, agrediu ou prendeu jornalistas que estavam no exercício da profissão”, conforme publicado em seu portal.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal reforça a reivindicação da entidade da categoria naquele estado e reforça o pedido de responsabilização de policiais e autoridades em ações violentas e manifesta preocupação com ações desproporcionais e violentas durante atos não só lá mas também no Distrito Federal e em todo o Território Nacional.
Foto:Policiais militares cercam e isolam manifestantes detidos durante o protesto em São Paulo Foto: Gabriela Biló / Futura Press