O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Sergipe (Sindijor/SE) repudiou a decisão do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ-SE), que condenou na última terça-feira (22/10) o jornalista Cristian Góes no processo criminal movido pelo desembargador Edson Ulisses, que se sentiu ofendido por um artigo ficcional assinado pelo repórter. A entidade qualificou a condenação como um "ato absurdo, autoritário, prepotente e arrogante".
Em nota, o sindicato esclarece que o artigo seria apenas a prática criativa de escrever uma situação que poderia ter ocorrido em qualquer parte do mundo e, que, em várias dimensões, ainda apresenta vestígios do coronelismo e do autoritarismo político e econômico.
No processo, o desembargador pede a condenação do jornalista a sete meses e 16 dias de prisão, o que foi aceito pela maioria do colegiado, que não permitiu a defesa oral do advogado Rodrigo Machado e do jornalista.
“Provando com todos os fundamentos que o processo criminal foi irregular e ilegal, o juiz relator Hélio Neto pediu a absolvição do profissional da imprensa, porém, os juízes José Anselmo e Maria Angélica, de forma absurda, ignoraram seu parecer e votaram contra, mantendo a condenação de Cristian Góes por dois votos a um”, informa a nota.
A entidade avalia ainda que a mais recente decisão da Justiça sergipana não afeta apenas a liberdade de expressão do jornalista Cristian Góes, mas de todos os que defendem o direito humano à comunicação e reconhece o posicionamento do juiz relator Hélio Neto.
"O Sindijor, como legítimo defensor da categoria dos jornalistas em Sergipe, mais uma vez repudia a decisão dos ilustríssimos senhores juízes, e conclama os jornalistas e a sociedade a lutarem por um Jornalismo livre de opressão e por um Judiciário independente, ético, transparente, moralista e comprometido com a liberdade de expressão e a democracia”, acrescenta.