No fim da manhã desta terça-feira, 9/10, diretores do Sindicato dos Jornalistas do DF foram impedidos de entrar na redação do Jornal da Comunidade para conversar com os jornalistas. A intenção era chamar os profissionais para participar da assembleia sobre as irregularidades e abusos do Grupo Comunidade, que ocorreu no início da tarde.
Os diretores solicitaram uma conversa com o presidente do Grupo, Ronaldo Junqueira. Ele alegou que tomara a decisão depois das falas no último ato realizado pelo Sindicato em frente ao Comunidade. Durante a reunião, os diretores do SJPDF reclamaram da restrição. “Independentemente dos incômodos e críticas, a atividade sindical não pode ser restringida. É fundamental que a diretoria possa conversar com os profissionais, inclusive para apurar as informações sobre as violações ou iniciativas da empresa”, disse Jonas Valente, coordenador-geral do SJPDF.
A principal reivindicação do Sindicato é o pagamento dos salários atrasados. O último vencimento depositado na conta dos jornalistas foi referente ao mês de julho. Os meses de agosto e setembro ainda não foram pagos. A falta de recolhimento do FGTS e o assédio moral na redação são outros problemas denunciados ao Sindicato.
Ronaldo Junqueira justificou o problema dos atrasos, mais uma vez, devido à demora do repasse de verbas por parte das empresas que anunciam no jornal, sendo uma das principais o Governo do Distrito Federal. Ele também disse que a greve dos bancos dificultou os depósitos. Mas comunicou que boa parte da redação receberia hoje o salário de agosto e que o vencimento de setembro deveria ser pago na próxima semana ou na seguinte a partir de um pagamento que estava sendo providenciado.
“Já está mais do que comprovado que a desculpa de atrasos nos repasses de verbas por parte das empresas não é uma justificativa plausível por parte da direção do jornal. A empresa deve priorizar os direitos trabalhistas. Os pagamentos dos funcionários não deverão depender somente de depósitos, mas de competência de gestão”, afirmou Leonor Costa, coordenadora-geral do Sindicato.
Assembleia
Em assembleia realizada no início da tarde de hoje ficou decidido o reforço da cobrança dos pagamentos e a averiguação se a promessa de repasses nesta semana e na seguinte vão se concretizar. Caso os atrasos continuem, haverá novas medidas mais efetivas de cobrança dos valores para garantir os direitos dos trabalhadores.
Problemas recorrentes
Em 2012, o problema de atrasos salariais fez com que a diretoria do Sindicato dos Jornalistas entrasse com ações contra o Comunidade, quando conseguiu bloquear 600 mil reais na Justiça do Trabalho para o pagamento de salários dos funcionários. O sindicato também provocou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público do Trabalho que estipulava o cumprimento por parte do Comunidade cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho, em especial a que diz respeito ao pagamento do salário em dia.
Mesmo assim, depois disso o Grupo desrespeitou as regras e atrasou os salários três vezes (julho e agosto de 2012 e março de 2013). Por causa desses atrasos, a empresa foi multada em R$ 90.890,35, a ser revertido para todos os funcionários. Além disso, o MPT estipulou ao Comunidade o pagamento de mais R$ 50 mil em campanhas institucionais do órgão.
Neste ano, a empresa voltou a atrasar salários e pagar férias atrasadas. Outro problema recorrente é o assédio moral que os jornalistas