As mais de 250 demissões de profissionais da imprensa somente em São Paulo e os problemas que a mídia impressa vem enfrentando foram alguns dos pontos destacados pela reportagem especial da The Economist. Publicada nesta semana, a matéria afirma que os meios de comunicação no Brasil não têm conseguido se adaptar à revolução causada pela internet.
Para a revista, o mercado esperava que a ascensão da classe média trouxesse novos leitores, o que não aconteceu, pois muitos usuários preferem ler notícias na internet e em redes sociais. "Estamos no meio de uma tempestade. Todos estão tentando produzir conteúdo e notícias de qualidade e se manter rentáveis num ambiente hostil", afirma à publicação o ex-presidente da Associação Mundial de Jornais, Jayme Sirotsky.
Além de Sirotsky, que também é presidente do Grupo RBS, a produção da reportagem contou com a participação de outro brasileiro, o diretor de conteúdo do Estado de S. Paulo, Ricardo Gandour. Na ocasião, ele disse estar perdido e afirmou que a fragmentação da informação pode ser prejudicial à democracia.
A The Economist também aponta que, embora os veículos tradicionais tenham sido criticados durante as manifestações, muitas pessoas se informaram por meio deles. "Quando questionados sobre como descobriram o que estava acontecendo, seis de cada dez protestantes disseram ter se voltado para fontes de informação como Folha de S. Paulo, TV Globo e O Estado de S. Paulo".