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Profissionais da Rádio e TV Justiça e setores da Comunicação Institucional do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, aprovaram, na tarde desta terça-feira (16), a suspensão da greve da categoria, a partir das 23h59. O trabalho será retomado normalmente na quarta-feira (17).

Jornalistas e radialistas que produzem os conteúdos dos veículos da mais alta corte de Justiça do país vêm enfrentando sucessivos atrasos em pagamentos de salários, tíquete-alimentação, repasse de Pensão Alimentícia (PA) e falta de recolhimento de 12 meses parcelas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) devido aos trabalhadores por parte da Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação (Fundac), empresa terceirizada que presta serviços ao Supremo.

A suspensão do movimento paredista foi possível após o STF apresentar um documento formal aos Sindicatos de Radialistas e Jornalistas, em que se compromete a fazer o bloqueio de pagamentos de faturas à Fundac, para quitação dos débitos trabalhistas e rescisórios, no limite dos saldos contratuais, em todos os três contratos atualmente em vigor. A medida abrange um total de aproximadamente 164 trabalhadores/as.

Conforme pactuado com as entidades sindicais, o STF propõe, no ofício, a adoção, "diretamente e desde já", de quatro medidas administrativas:

- Levantamento junto à Fundac dos valores devidos aos colaboradores (salários, FGTS, verbas rescisórias e demais benefícios) e aqueles a receber por aquela contratada, no âmbito dos contratos mencionados, para fins de divulgação na reunião agendada para o dia 19/06/2026;

- Pagamento em caráter excepcional, diretamente aos colaboradores, nos três contratos referidos, das verbas salariais e rescisórias;

- Recolhimento do depósito do FGTS em atraso relativo aos colaboradores, conforme informação a ser coletada junto à Fundac;

- Levantamento dos serviços prestados por profissionais autônomos à Fundac, no âmbito dos contratos mencionados, e ainda pendentes de pagamento.

O ofício é assinado pelo Secretário de Orçamento, Finanças e Contratações do STF, Márcio Kazuaki.

Próximos passos

A partir deste pacto, Sindicatos esperam que o STF assegure os próximos pagamentos aos/às trabalhadores/as, até o término dos contratos com a Fundac, que se encerrarão em 31 de julho. Além de salários e benefícios, a expectativa é que haja um levantamento dos débitos das parcelas do FGTS e possíveis verbas rescisórias. A quitação integral dos débitos dependerá de suficiência dos saldos de recebíveis nos contratos, mas a retenção dos recursos da Fundac melhora a perspectiva de solução, ao menos parcial, para a grave crise trabalhista vivida pela categoria.

A suspensão da greve também é um gesto de maturidade e um voto de confiança dos/as trabalhadores/as no compromisso formal assumido pelo STF, mas poderá ser retomada se as promessas não forem honradas.

Como foi a greve

Iniciada a segunda-feira (15), o movimento paredista atingiu praticamente todos os setores responsáveis pelo funcionamento das emissoras públicas e causou grande impacto na programação do jornalismo judiciário. Para se ter uma ideia, o programa Justiça Agora, exibido diariamente às 8h na TV Justiça, não foi ao ar durante o primeiro dia de paralisação. Já o principal telejornal, o Jornal da Justiça, exibido às 18h30, foi apresentado de forma improvisada pela chefe de reportagem, que não é apresentadora oficial do noticiário. Além disso, o jornal foi sustentando com a leitura de notas e utilização de material produzido por equipes de outros tribunais.

Ao longo do dia, a programação própria das emissoras teve seus vazios preenchidos por música e reprises de programas e julgamentos passados. Nenhuma informação do dia foi ao ar, porque não havia profissionais disponíveis para estre trabalho crucial.

A greve na Rádio e TV Justiça também gerou grande repercussão na imprensa. Parte das reportagens veiculada em importantes portais de notícia problematizou justamente os impactos da paralisação na garantia da transparência dos trabalho do STF e destacou as reivindicações da categoria. Se a paralisação continuasse, pela falta de resposta do STF, a cobertura dos profissionais de comunicação especializados do STF, que garantem reportagens explicativas e contextualização dos complexos temas jurídicos em debate na Suprema Corte, estariam comprometidos, inclusive durante importantes julgamentos em plenário.

As direções dos Sindicatos de Radialistas e Jornalistas parabenizam os/as trabalhadores/as pela corajosa e inspiradora mobilização e se comprometem a seguir acompanhando os desdobramentos de cada medida anuncia de agora em diante.

Brasília (DF), 16 de junho de 2026.

Sindicato de Radialistas do DF
Sindicato de Jornalistas do DF