Jornalista,
Chega o fim de ano e somos inundados com mensagens de toda sorte. No nosso caso, resolvemos aderir à moda não por uma obrigação protocolar, mas pelas lições que 2016 trouxe e que não devem ser ignoradas em 2017. Vivemos uma ofensiva sem precedentes contra os direitos da classe trabalhadora. E ignorar ou não se envolver nessa situação pode levar à regressão brutal da nossa qualidade de vida.
Em 2016 tivemos a eclosão de uma crise econômica, política e institucional que resultou em uma ruptura democrática com a derrubada ilegítima de uma presidente do poder. O bloco que assumiu o poder se uniu em torno de uma agenda que busca resolver as dificuldades econômicas mantendo os benefícios às empresas e atacando garantias, direitos e o poder de compra dos trabalhadores. A PEC 55, a regulamentação da terceirização, a proposta de reforma da previdência e o anúncio de uma reforma trabalhista vêm neste sentido. Os jornalistas não estão fora deste quadro. Se 2016 foi impiedoso contra os trabalhadores, 2017 será mais e exigirá reação e mobilização constante para barrar os retrocessos.
O cenário de crise também é aproveitado pelo setor para buscar atacar direitos e rebaixar salários e benefícios. A postura intransigente dos veículos na Campanha Salarial 2016 foi uma amostra disso. No entanto, creditar simplesmente isso à crise é uma análise simplista. O acordo fechado, visto pela direção como insuficiente, é resultado de uma tática que foi experimentada em 2015 e virou regra: cansar a categoria até o fim do ano para que ela possa aceitar qualquer coisa. A despeito das demissões, dos atrasos e da precarização, 2016 também foi ano de muita luta. A greve do Fato Online, as paralisações no Correio Braziliense, as ameaças de paralisação no Jornal de Brasília e as diversas campanhas são exemplos disso.
No setor público, importante espaço de empregabilidade da categoria, o ano foi marcado pelo movimento de destruição do caráter público da EBC e por uma difícil negociação com o governo tentando desmontar metade do Acordo Coletivo, o que só foi barrado com a ação dos sindicatos e a mobilização dos trabalhadores. Na Câmara e Senado as estruturas de comunicação tiveram diversas tentativas de aparelhamento. Nas assessorias de órgãos públicos, a redução de contratos foi a regra, atingindo postos e precarizando os espaços.
Foi um ano de riscos para os jornalistas. Nas diversas manifestações, assim como em 2013, os profissionais de imprensa foram alvo tanto de policiais como de manifestantes, muitas vezes sem condições de segurança garantidas pelas empresas. O SJPDF atuou fortemente, inclusive estando nos protestos ao lado de quem fazia a cobertura. Em 2017, precisamos buscar a união da categoria para exigir respeito e reconhecimento do nosso trabalho.
No ano em que a "pós-verdade" se impôs, inclusive por vezes nos próprios veículos jornalísticos, o debate da ética na produção noticiosa nunca foi tão relevante. Frente ao temporal informativo nas redes sociais, a reportagem séria, ética e equilibrada nunca foi tão necessária.
Em uma categoria que costuma lamentar a desunião e os ataques contra si, 2016 mostrou que não há saída mágica. É na união de fato, na organização, na mobilização e na resistência que podemos fazer valer a nossa relevância social. Que 2017 seja um ano de virada e que possamos reagir para fazer aquilo que sempre quisemos: um jornalismo de qualidade, que atenda ao direito à informação dos cidadãos, que promova o debate público e que contribua para o fortalecimento da nossa democracia. Esses são os votos da diretoria do SJPDF!
Para saber mais das ações do SJPDF no ano, confira o balanço da gestão que se encerrou em setembro aqui