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Publicado em Sexta, 25 Novembro 2016 17:29
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O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal vem a público repudiar veementemente as declarações dadas pelo diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Laerte Rímoli, durante audiência pública no Senado Federal sobre a Medida Provisória 744, realizada na última quarta-feira (25/11). A MP extinguiu o Conselho Curador da empresa pública, acabou com o formato que garante independência do mandato do presidente e aumentou a participação de ministros no Conselho de Administração.

Laerte Rímoli desqualificou trabalhadores e integrantes do extinto Conselho Curador. Afirmou, por exemplo, que a representante dos empregados no Conselho era "petista", quando esta não possui qualquer tipo de filiação partidária. Também tentou cunhar a pecha em outros componentes do órgão, todos eleitos em processo transparente e público. Ainda sobre o Conselho, afirmou que ele servia "a um projeto político" para tentar justificar a extinção do órgão. Ao contrário, o Conselho Curador era o espaço de participação da sociedade e de fiscalização com vistas à garantia da autonomia da EBC.

Na mesma linha acusatória, Rímoli atacou o conjunto dos empregados concursados da EBC, afirmando que “há muitos trabalhadores petulantes”. Chegou a dar como exemplo o caso de um jornalista que questionou o viés governista em matérias de economia, tendo sido constrangido a não retirar o próprio nome dos créditos embora tenha feito essa solicitação. Tal pedido é totalmente condizente com a cláusula de consciência prevista no Código de Ética da profissão, cujo texto é referenciado pelo Manual de Jornalismo da EBC. É um pleito legítimo.

Há que se avisar ao diretor-presidente da EBC que os tempos de perseguições e de acusações sem provas a trabalhadores e a membros da sociedade civil não devem fazer parte do cenário de construção da frágil democracia brasileira. O SJPDF sempre defendeu e seguirá apoiando o direito dos empregados de questionarem o governismo e outros desvios na linha editorial, bem como de cobrarem o respeito às diretrizes previstas no Manual de Jornalismo da empresa.

O diretor-presidente disse ainda que espera que 600 funcionários da EBC (quase 25%) não façam mais parte do quadro a partir de programa de demissão voluntária, que prejudicará substancialmente a produção da EBC. Laerte também demonstrou total incompreensão da missão de uma empresa pública ao defender que o presidente da República deve poder retirar, quando bem quiser, o presidente da empresa. Esse modelo não é o verificado em várias experiências de emissoras públicas das principais democracias do mundo.

As afirmações de Laerte Rímoli apenas comprovam o modus operandi e as verdadeiras intenções na relação com os trabalhadores da EBC: a não valorização dos profissionais concursados da casa; a intimidação, perseguição e o constrangimento dos que são críticos à linha editorial pró-governo Temer e o descaso na construção de um projeto de mídia verdadeiramente pública. Independentemente de partidos ou gestões, tais práticas são inaceitáveis em uma empresa de comunicação pública e seguirão sendo denunciadas e combatidas.

Brasília, 25 de novembro de 2016

Diretoria do SJPDF