Para marcar a agenda do Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado no último domingo, 20 de novembro, o Sindicato dos Jornalistas e a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-DF) realizam na próxima quinta-feira, 24/11, às 19h, no auditório do SJPDF (SIG Quadra 2 lotes 420/430/440 - City Offices ) a roda de conversa “Luta pela Igualdade Racial na Comunicação e na Cultura”. O evento contará com a participação dos jornalistas Joceline Gomes, Cláudia Maciel e Fausto José Barbosa.O jornalista e doutorando em Comunicação Hamilton Richard será o mediador do debate. A roda de conversa faz parte da programação da Articulação de Entidades Negras do DF e Entorno.
O dia 20 de novembro é uma data para refletir a contribuição que a população negra teve e tem na construção da sociedade, a partir do legado deixado por Zumbi dos Palmares e outros heróis da resistência negra. O dia serve também para dar visibilidade às bandeiras de luta dos negros e negras brasileiras, que somam mais de 51% da população do país. O combate ao racismo e à violência contra a população negra - pretos e pardos - são colocados em debate por diversas organizações. As desigualdades enfrentadas por essa parcela da sociedade também são pautadas pelas organizações que tratam da temática racial.
O Sindicato e a Cojira se uniram para contribuir com a reflexão sobre “desigualdade racial na comunicação". A intenção das entidades é tratar de assuntos como a falta de representatividade dos negros e negras na TV e dentro das redações e o preconceito tão presente na cobertura jornalística.
Estatísticas
Pesquisa realizada pelo cineasta e pesquisador Joel Zito revela dados expressivos sobre a falta de representação dos negros/as na TV. Os dados foram publicados no livroO Negro da TV Pública e revelaram que dos 172 programas de variedades exibidos durante uma semana nas principais TVs públicas do país (TVE do Rio, TV Cultura São Paulo e TV Nacional do Sistema Radiobrás) somente três tiveram a cultura negra como tema principal, ou seja, 1% da programação. Foi desvendado também que as pessoas brancas ocupam 86% dos postos de apresentadores/as e 93,3% dos cargos de jornalistas.
Segundo Leonor Costa, diretora de comunicação do SJPDF, a conquista da democratização dos meios de comunicação é uma questão fundamental para enfrentar o problema da desigualdade racial na mídia. “Somente a garantia do direito à diversidade étnica e racial na mídia trará um equilíbrio na programação da TV. Por outro lado, nos preocupa muito também a falta do debate sob a perspectiva racial dentro dos cursos de comunicação e das redações brasileiras. O racismo está presente de forma geral em todas os setores da sociedade e, nesse sentido, é fundamental que a academia passe a abordar melhor esse problema”, afirma Leonor.