O dia 25 de novembro foi de preocupação para todos os jornalistas devido à notícia de prisão de colegas no exercício da profissão por funcionários da segurança da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Esses jornalistas foram detidos sob a nebulosa justificativa abstrata do desacato ao policial durante coberturas de eventos de interesse público dentro do Congresso Nacional.
O primeiro caso assombroso foi o “cerco” feito aos jornalistas de mídia alternativa que ficaram refugiados na liderança do PSOL, na Câmara dos Deputados. Esses repórteres cobriam o ato do movimento dos atingidos por barragem que protestavam contra o desastre ecológico provocado pela mineradora Samarco, em Mariana-MG. A manifestação tinha performance teatral com uso de lama, classificada como ação depredadora do patrimônio público, e a segurança deu voz de prisão às pessoas que protestavam. A confusão se estabeleceu porque a polícia legislativa da Câmara classificou esses jornalistas como membros da manifestação, que conseguiram refúgio no PSOL. A situação só se resolveu após a intermediação de deputados, com o apoio do SJPDF.
O outro caso ocorreu com o repórter fotográfico Lula Marques, credenciado no Congresso Nacional há mais de três décadas. Uma funcionária terceirizada da segurança o denunciou à polícia legislativa por ele ter entrado na galeria do Senado Federal sem credencial. O agente policial, sem argumentos convincentes, deu voz de prisão ao jornalista mesmo ele tendo apresentado a credencial de imprensa que estava pendurada no peito. Vários seguranças retiraram Marques à força do Senado Federal e o detiveram por mais de quatro horas.
Essa polícia legislativa, que não combate o crime, que não investiga corrupção, não prende bandidos e muito menos age para proteger o trabalhador comum, tem o hábito de usar a força para deter movimentos sociais e reprimir manifestações de entidades, que deveriam ser recebidas de forma civilizada na Casa do Povo. Essa segurança, que recebe salários muito acima da média nacional dos policiais civis, militares e federais, tem ação repressiva contra o trabalho essencial dos jornalistas e as liberdades de imprensa e de expressão, um dos pilares da democracia. Considerando que as atividades exercidas por jornalistas, radialistas, repórteres fotográficos e demais profissionais de comunicação são essenciais para o efetivo respeito à sociedade e ao direitos humano, o Sindicato dos Jornalistas do DF exige a ampla investigação do ocorrido e a consequente punição dos responsáveis.
Sindicato dos Jornalistas do DF