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Publicado em Quarta, 02 Setembro 2015 16:06
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A assessoria de comunicação do Sindicato dos Jornalistas do DF realizou entrevista com um dos participantes do “Encontro de Jornalistas em Assessoria de Imprensa do DF" o professor Dr. Henrique Moreira, coordenador dos cursos da área de Comunicação Social do UniCEUB.  Com vasta experiência acadêmica, o professor tratou de temas como aproximação da academia do mundo de trabalho, qualidade do jornalismo, desafios da sala de aula, entre outros. “Para mim, o jornalismo nunca esteve tão vivo e atuante (e tão necessário). O que ocorre, sem dúvida, é que o negócio do jornalismo vem passando por uma profunda transformação e, até agora, não se encontrou o modelo de negócios adequado, capaz de dar conta dessas novas configurações e gerar os recursos necessários para manter a atividade jornalística com qualidade”, afirma. Leia a entrevista completa abaixo.  

SJPDF: Professor Henrique, para o senhor qual a melhor forma de se aproximar a academia do mundo de trabalho?

HM: Acredito que buscar a parceria e trabalhar em conjunto com os órgãos representativos das categorias profissionais é uma boa maneira de buscar tal aproximação. Uma outra maneira seria por meio do incentivo à realização de pesquisas que envolvam as práticas profissionais e as mudanças no campo profissional. 

SJPDF: Sobre a velocidade da comunicação, o senhor acredita que ela contribuiu ou gerou um problema na prática da profissão?

HM: Acho que um pouco das duas coisas. Por um lado, a velocidade permitiu que ampliássemos o alcance e os efeitos do jornalismo em relação às demandas sociais. Por outro lado, ela acaba contribuindo para ampliar o nível de estresse dos profissionais e impondo uma competição que muitas vezes não leva em consideração princípios fundamentais do bom jornalismo.

SJPDF: Sobre esses princípios fundamentais, o senhor poderia nos relembrar quais são eles?

HM: Esses são princípios fundadores do jornalismo, aqueles sobre os quais se apoia o nosso campo na sua ação na e para a sociedade, como a credibilidade (a mais importante delas), a imparcialidade, a objetividade e a prioridade aos aspectos humanos de qualquer assunto que seja tratado.

SJPDF: Para o senhor, o jornalismo está em crise?

HM: Não, de maneira alguma. Para mim, o jornalismo nunca esteve tão vivo e atuante (e tão necessário). O que ocorre, sem dúvida, é que o negócio do jornalismo vem passando por uma profunda transformação e, até agora, não se encontrou o modelo de negócios adequado, capaz de dar conta dessas novas configurações e gerar os recursos necessários para manter a atividade jornalística com qualidade.

SJPDF: E dentro das salas de aula, qual o maior desafio para os professores hoje? Visto que a velocidade das informações e de invenções tecnológicas que afetam o setor é enorme?

HM: Para o ensino do jornalismo, o maior desafio é conciliar todas essas questões que permeiam a realidade do campo profissional, como as mudanças muito rápidas, a inserção de novas tecnologias, a necessidade de dotar os novos profissionais de habilidades e competências muito específicas sem deixar de lado aspectos fundamentais da prática jornalística. O que ensinar e como ensinar jornalismo, diante de um campo profissional em constante e profunda transformação.

SJPDF: Quanto à qualidade do jornalismo atualmente, o senhor tem algo a nos dizer?

HM: Não há como comparar o modelo de jornalismo que prevalece atualmente com os que já vivenciamos no passado. O jornalismo é algo dinâmico e tem sido assim desde que se estabeleceu como campo de luta social e de embates políticos, há mais de quatro séculos. Eu não acredito que ele vá mudar. A qualidade do jornalismo que se pratica depende, especificamente, da qualidade do jornalista que o pratica, independente de época ou possiblidades técnicas.