Os Sindicatos dos Jornalistas e Radialistas do DF, RJ e de SP divulgam nota pública de protesto à falta de abertura de diálogo da Empresa Brasil de Comunicação. Na nota, as entidades sindicais destacam a estranheza do novo gerente executivo ter um perfil militar e a preocupação com a possibilidade de práticas da lógica militar serem aplicadas na EBC (Leia a nota abaixo)
..: NOTA PÚBLICA DE PROTESTO .:.
Os Sindicatos dos Jornalistas e Radialistas do DF, RJ e de SP receberam com preocupação a nomeação do novo Gerente Executivo no Rio de Janeiro, Coronel Roni Pinto. A nomeação foi anunciada em meio à grave crise de gestão da EBC no Rio de Janeiro. A empresa pede "abertura do diálogo", mas toma decisões em desacordo com suas próprias normas e sem ouvir seus(suas) trabalhadores(as).
Contraditoriamente, em suas declarações públicas, o novo Diretor-Geral, Américo Martins, o Diretor de Administração, Finanças e Pessoas Clóvis Curado e o Vice-presidente da EBC Sylvio Júnior têm manifestado intenções em encontrar soluções pra a “crise” do Rio. No entanto, a contradição da prática é demonstrada na indicação do novo Gerente Executivo,Coronel Roni Pinto, que veio blindar lacunas na gestão da superintendente Joice Pacheco.
Ao anunciar a nomeação do coronel Roni, o EBC INFORMA ainda escondeu, omitiu e ignorou a vasta carreira militar do coronel, que é bacharel em Ciências Militares, pela A.M.A.N. Uma simples busca na internet revela que o coronel Roni é especialista em Estudos Militares pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército e estudante de graduação em Curso de Política, Estratégia e Alta Administração pela Escola do Comando e Estado maior do Exército. Para além do caráter simbólico de ter uma pessoa com esse currículo na gestão da EBC-RJ, nos causa estranheza a omissão dessas informações, ainda mais em um momento de ofensiva e retaliações às lutas dos(das) trabalhadores(as) – como a sindicância dos memes e o corte de ponto daqueles(as) que aderiram à paralisação de 09/12/2014 – e do avanço da lógica de militarização do Estado brasileiro.
A Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), por exemplo, revela que a maioria das agressões à categoria são oriundas do Estado. Por isso, além do viés simbólico desta nomeação, destacamos a preocupação com a possibilidade de práticas da lógica militar serem aplicadas na EBC.
A resolução nº 103/2014 da Diretoria Executiva (Direx), de agosto de 2014, estabelece que todos os cargos comissionados da EBC sejam preenchidos através de Processos de Seleção Interna (PSI). Na contramão desta resolução, vários cargos estão sendo ocupados por indicações da direção. Em outros casos, funcionários escolhidos por PSI são descartados sem justificativa, como ocorre em Brasília. Mais uma vez, uma prática sem diálogo, participação e absolutamente contrária aos princípios de uma empresa pública.
Ressaltamos que fortalecer a ocupação de cargos de gerência por empregados(as) do quadro é fundamental para a construção de uma política coerente com os princípios de uma empresa pública, de fortalecimento da transparência, autonomia e empoderamento dos(das) trabalhadores(das) como sujeitos e não meros objetos da máquina pública.
Na véspera do 1º de maio, dia de luta do(a) trabalhador(a), reafirmamos a nossa luta em defesa da comunicação pública brasileira e dos avanços da classe trabalhadora.
PARALISAÇÃO
Importante lembrar, por fim, que a paralisação do dia 09/12/2014 foi feita em desagravo à demora na finalização do Plano de Carreiras, previsto há mais de quatro anos em acordo coletivo e negligenciado pela empresa até hoje, em claro desrespeito a seus colaboradores (as). Os sindicatos dos jornalistas e radialistas vão entrar na Justiça para cobrar o dia de volta. Pedimos que as pessoas apresentem o contracheque com o corte.
Sindicato dos Jornalistas do DF, RJ e SP
Sindicato dos Radialistas do DF, RJ, SP